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Set 06, 2010
"Práticas funerárias da Pré-História Recente no Baixo Alentejo e retorno sócio-económico de programas de salvamento patrimonial" ... é um novo projecto em que o NIA participa e que foi apresentado à FCT, tendo sido avaliado com Excelente em todos os critérios e proposto para financiamento. Este projecto tem como investigador responsável o Doutor António Carlos Valera, sendo o Instituto Politécnico de Tomar a instituição proponente. Nele participam os seguintes investigadores e instituições: Doutor António Valera (NIA- Era Arqueologia / Centro de Geociências); Mestre Lucy Evangelista, Mestre Ricardo Godinho, Mestre Nelson Cabaço e Mestre Victor Filipe (NIA - ERA Arqueologia); Doutor Gonçalo Velho (Centro de Geociências, Instituto Politécnico de Tomar); Doutora Ana Maria Silva (Centro de Investigação em Antropologia, FCTUC); Doutora Ana Calapez Gomes; Doutora Idalina Sardinha; Doutora Maria Isabel Mendes; Doutora Sandra Loureiro; Doutor Manuel Coelho (Centro de Investigação em Sociologia Económica e das Organizações, ISEG). O projecto incide sobre o estudo das práticas funerárias da Pré-História Recente no Baixo Alentejo (distrito de Beja) e construção de modelos de valorização de conhecimento produzido no âmbito de minimização de impactos sobre património arqueológico (não visitável no local ou totalmente desmantelado), procurando reunir no mesmo processo de investigação a dimensão científica do problema arqueológico e o problema da sua valorização patrimonial e disponibilização pública (entendida como retorno social e económico da actividade científica em Arqueologia). Os contextos arqueológicos em causa resultam de intervenções de minimização realizadas em empreendimentos da Redes Energéticas Nacionais (REN) e Empresa de Desenvolvimento de Infra-estruturas de Alqueva (EDIA), as quais valorizam o projecto e estão disponíveis para nele colaborarem em termos ainda a definir . Pretende-se, assim, a partir de um conjunto de oito sítios de relevância científica intervencionados no âmbito da minimização de empreendimentos, investigar as soluções funerárias desenvolvidas pelas comunidades do Baixo Alentejo entre o Final do Neolítico e a Idade do Bronze, na sua articulação e contrastes relativamente às práticas conhecidas nas regiões periféricas do Sudoeste Peninsular. Por outro lado, decorrendo de descobertas realizadas no âmbito da Arqueologia de Salvamento, a grande maioria dessas evidências foi destruída após a minimização arqueológica e os respectivos sítios não ficarão acessíveis, pelo que a investigação e desenvolvimento de estratégias de valorização e divulgação de património arqueológico não visitável se constitui como uma vertente central para o problema da sua justificação social. Trata-se, também de uma abordagem inovadora, assente numa perspectiva de reflexividade, que procura introduzir na dinâmica de investigação científica a preocupação com as suas próprias condições sociais de actuação, contemplando diferentes dimensões do seu retorno social e económico, na óptica do desenvolvimento sustentado.
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Ago 30, 2010
A intervenção arqueológica no sítio Cruz da Areia enquadrou-se numa perspectiva de minimização de impactes numa área com enorme potencial arqueológico. Este sítio já havia sido diagnosticado em trabalhos anteriores, contudo os resultados obtidos não foram suficientemente esclarecedores para questões relacionadas com a cronologia, formação e preservação. A primeira fase destas novas intervenções consistiu na realização de três sondagens manuais de forma a compreender a relação de um nível de termoclastos com artefactos líticos e a sua formação antrópica ou natural e também a confirmação ou não da existência de zonas de combustão relacionadas com a ocupação pré-histórica do sítio.  Vista geral da escavação e da Sondagem 1 (nível de termoclastos) Na sondagem 1 está presente um momento de ocupação humana relacionado com um nível com milhares de termoclastos e centenas de peças líticas talhadas, cuja funcionalidade não está de todo esclarecida, pois trata-se de uma extensa área, cerca de 1000m2, tendo sido intervencionados apenas 14m2 Já para a zona onde foram implantadas as sondagens 2 e 3, existe um nível preservado (solo antropogénico) onde estão presentes seis estruturas de combustão, estruturas negativas, milhares de peças líticas talhadas e ainda uma placa de xisto com gravações filiformes. 
Estruturas de combustão 3 e 1. A interpretação preliminar deste sítio aponta para a presença humana durante um período da pré-história antiga, provavelmente no paleolítico médio e paleolítico superior final. A localização do sítio, entre os vales do Rio Lena e do Rio Lis, tornam o local numa zona preferencial para o estabelecimento de comunidades de caçadores-recolectores, com acesso a um vasto território pautado por grandes vales e áreas de abastecimento de matéria-prima. Estamos perante realidades arqueológicas preservadas in situ, testemunhada por estruturas de combustão de várias dimensões e com diversas funcionalidades, estruturas negativas, milhares de peças líticas talhadas, bem como vários elementos pétreos que demonstram a mobilidade destes últimos grupos de caçadores-recolectores pelo território envolvente a curta e longa distância (seixos rolados, dioritos, sílex, calcário, xisto). Industria lítica alongada presente nos contextos arqueológicos. (Tiago do Pereiro, 20-08-2010)
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Jul 21, 2010
Trabalhos acríticos No território português existem áreas atravessadas por grandes obras públicas de cariz linear (ex: estradas, caminhos de ferro ou amplas redes de rega). Relativamente a muitas dessas áreas existem manifestas lacunas ao nível do conhecimento sobre as antigas ocupações humanas, aspecto amplamente evidenciado por recentes resultados, decorrentes da implementação de estratégias de acompanhamento arqueológico permanente e em extensão nos espaços de afectação de grandes obras. A adopção de um modelo de actuação ao nível dos acompanhamentos de obras assente na definição de classes de sensibilidade arqueológica parece ser muito vantajoso. Ou seja, em função da maior ou menor segurança que o arqueólogo responsável e a tutela têm relativamente às probabilidades de efectiva presença de contextos arqueológicos relevantes em determinadas áreas, devem ser definidas diferentes opções na abordagem ao nível de acompanhamentos arqueológicos de obras: desde o total desbloqueamento de condicionantes, ao acompanhamento presencial e permanente de todas as movimentações de terras ou rocha (não esquecer o caso, alentejano, de enormes concentrações de estruturas escavadas na rocha). O que, de todo, não faz sentido são as actuações arqueológicas acríticas e desfasadas de processos de investigação e de produção de conhecimento, assentes no modelo de "despejar" arqueólogos nas frentes de obra; dessa forma, descredibiliza-se a actividade e favorecem-se os incompetentes...é o fazer por fazer. Por isso, porque as actuações técnicas de acompanhamento têm sido tão desqualificadas, qualquer arqueólogo serve, mesmo sem experiência para identificar materiais e contextos arqueológicos ou entender as dinâmicas das paisagem em que se inserem. Nesses casos, os trabalhos e investimentos realizados são inúteis ou servem apenas para simular que se cumpre a lei. Para isso, não contem com a ERA. Miguel Lago, Junho de 2010
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Mai 22, 2010
Renovação?
O IGESPAR renovou o seu quadro de pessoal, nomeadamente de arqueólogos. De facto, aos que já integravam a instituição desde há muitos anos, juntam-se agora os elementos que, desde o tempo do IPA, mantinham com o Estado uma relação de falsa prestação de serviços. Em tempos de crise, esperemos que com este vasto corpo de especialistas em Arqueologia a nossa tutela incremente, finalmente, os seus níveis de actuação, contribuindo para a renovação da actividade em geral... Mas, atenção, já que é fundamental que a tutela crie um efectivo espírito de instituição, procurando uniformizar, na medida do possível, os modelos de actuação. A esse nível, as discrepâncias de região para região e de técnico para técnico são gritantes. De facto, se o que aqui é encarado de determinada forma, ali é visto de outra bem diversa, dificilmente será possível credibilizar e fazer aceitar pelos cidadãos os pareceres emitidos pela tutela. Sempre defendi uma tutela forte, consistente e actuante porque seria essencial para o funcionamento de um sistema geral assente, essencialmente, nas empresas actuando no mercado e nas universidades preparando profissionais e promovendo investigação científica. Infelizmente, face às deficiências estruturais do sistema, evoluímos para uma realidade muito marcada por instituições débeis e por profissionais pouco esclarecidos ou pouco consistentes técnica e cientificamente. Agora, com esta renovação, espero que a tutela se torne mais exigente com os arqueólogos e com as instituições que representam. Mas espero também que os seus técnicos não substituam os colegas do exterior, inibindo-os de definir nos seus projectos os objectivos, estratégias, metodologias ou mesmo as competências dos elementos de uma equipa. Triste seria o dia em que os profissionais de Arqueologia mais não fossem do que acríticos executantes, iluminados pela tutela. Lamentável seria o dia em que a tutela, que deve supervisionar, regular e fiscalizar voltasse à execução. Miguel Lago, Maio de 2010
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Mai 19, 2010
O Estado das coisas Um dos mais graves problemas da Arqueologia portuguesa e internacional é o da evidente dificuldade em rentabilizar, dos pontos de vista científico e social, os resultados obtidos de ano para ano. Problema, porque a actividade arqueológica é hoje muito intensa, prospectando-se e escavando-se diariamente muitos sítios pelo nosso território fora. Nunca, como nos últimos anos, se conheceram directamente tantas novas realidades ou se produziu tal quantidade de dados passíveis de renovar os nossos conhecimentos sobre o passado. Se a Arqueologia nasceu e se consolidou pela vontade de conhecer, a sua profissionalização e enquadramento em políticas de ordenamento do território, fundamentais para a criação de condições de base para a salvaguarda, investigação e valorização patrimonial, trouxeram alguns vícios típicos de ambientes burocratizados. De facto, face a uma Arqueologia imposta legalmente respondeu-se com uma acção predominantemente visando o cumprimento de procedimentos administrativos. Ou seja, resvalou-se para actuações em que parece que o mais importante é demonstrar uma coisa: que se intervencionou. As razões, o enquadramento dos projectos em problemas de produção de conhecimento científico ou a disponibilização de conteúdos para partilhar com a comunidade, tornaram-se secundários e sujeitos a critérios pouco claros. Este estado das coisas deve ser alterado, porque é nocivo. Beneficia quem não compreende as virtualidades que resultam do actual sistema legal que, afinal de contas, pode favorecer, pelas regras que estimulam actuações sistemáticas, a nossa Arqueologia. Por tudo isto, não entendo a estratégia da tutela do Património que pouco pugna pela elevação da exigência e incremento da qualidade dos projectos executados, parecendo subordinada ao princípio do "agir para cumprir algo". De igual modo, não compreendo a estratégia da generalidade das universidades e empresas desta área. As primeiras parecem não interiorizar que poderiam ter acesso a impressionantes fontes arqueológicas que nem imaginam estar ao seu alcance; era sua obrigação prestar a máxima atenção ao que se passa na Arqueologia Comercial. As segundas, as empresas, trituram possibilidades de gerar conhecimento. Não são todas, mas são a grande maioria. E silenciosas. Como alguém da tutela me dizia há tempos, a ERA fala demais, escreve em excesso e solicita em demasia a participação da tutela nos processos em curso. Quem não se expõe e não convoca os seus pares prossegue por caminhos que apenas visam em exclusivo o benefício próprio, gerando-se um ambiente de suspeição relativamente a actos de corrupção. Por tudo isto, espero que os profissionais da ERA continuem a dar exemplos de profissionalismo, procurando sempre conciliar as melhores práticas técnico-científicas com os objectivos dos clientes, beneficiando os processos de conhecimento do passado e dando algo de consequente à sociedade em que nos inserimos. Miguel Lago, Maio de 2010
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Abr 21, 2010
O Centro de Arte Manuel de Ribeiro está a promover o primeiro Ap-Artes/Ciência Conforme informa o programa, esta iniciativa tem o intuito de "potenciar contaminações entre as artes plásticas e outras expressões artísticas e do conhecimento." e acrescenta-se que neste "Ap-ARTES dedicado à Ciência visamos desmistificar mitos e ideias preconcebido acerca dos limites territoriais destas duas áreas e da figura do cientista." Nota Pessoal: Estamos perante um iniciativa que visa destruir os Muros de Berlim que se elevaram (de forma não tão vergonhosa, mas seguramente com um resultado trágico do mesmo calibre) entre a Ciência e a Arte. O Século XIX e grande parte do século XX assistiram à emancipação do pensamento científico, fundado numa base empirista e na crença, de cariz quase religioso, numa objectividade absoluta. O cientista, ser super-dotado pelo exercício da razão, seria capaz de se extrair ao mundo para o observar, descobrir e conhecer através da razão. Neste desempenho, teria que se aproximar do eremita, isolando-se em condições assépticas relativamente a contaminantes sociais. Esta sua capacidade elevaria o cientista à condição divina, de exteriorização do mundo, e o seu laboratório a um Olimpo, de onde se decretaria a Verdade. Tudo o que se revestisse de subjectividade, de níveis de especulação, de metafísica, de concepção estética seria expurgado. A Ciência construía à sua volta um muro e de dentro desse convento, qual monge isolado da sociedade, pretendia ditar conhecimentos sobre o mundo físico e social. Paralelamente, contudo, foi-se desenvolvendo a consciência do carácter situado, histórico, contingente, de todo o conhecimento científico. De que a negação desta evidência criaria uma ilusão, cuja crença seria digna do título de religião. Que a ciência não é A forma de conhecimento, mas uma forma de conhecimento em permanente inter-relação com outras formas de conhecimento e que, como dizia Stefen Jay Gold há já várias décadas, a Ciência é, como a arte, uma actividade humana criativa e que o verdadeiro cientista se comporta mais como um artista do que como um processador de dados. Não há compreensão da ciência sem a compreensão da sua dimensão artística, estética e emocional. Infelizmente, muitos dos que se movimentam no terreno dos "laboratórios", mesmo jovens, são velhos de mais de um século e acendem velas a Augusto Comte. Numa sociedade em que a ciência tomou o lugar da religião na resolução de muitos dos problemas sociais, no dirimir de conflitos, no mexer com os destinos do planeta, o seu poder é enorme, correndo o risco de se tornar absoluto. Torna-se, pois, fundamental dar voz a quem na Ciência lhe compreende a dimensão humana e a quem na restante sociedade não está disponível para se subjugar à sua tecnocracia, procurando, precisamente, a sua dimensão humana, quer dizer, histórica, contingente, subjectiva, artística, espiritual, moral, ética (para além da económica, técnica ou política). Construir pontes sobre canais artificialmente abertos, que foram importantes na criação de condições de emergência e afirmação do pensamento e procedimento científico, mas que hoje, tal como arma de defesa que se tornou em arma de opressão, são factores de bloqueio. Ou como diria José Mattoso, numa frase que não me canso de citar, onde a aproximação da Ciência à Arte é vista como uma busca intuitiva de sentido com potencialidades de superar as limitações do "pensamento lógico-discursivo para dar conta do que intui, mas, em vez de o paralisar, traz-lhe o júbilo, por se sentir a captar a imensidão que o excede." Rejubilo, pois, com esta iniciativa destinada a educar para uma concepção humana da Ciência e cujo programa é o seguinte: PROGRAMA EXPOSIÇÃO: ARTElogia Patente de 20 de Abril a 16 de Maio. Terça a Domingo das 11h30 às 18h00. Mediante condições de acesso. ARTElogia é uma exposição que cruza a arte plásticas com as artes multimédia utilizando módulos interactivos onde o espectador é também criador, através de interfaces tecnológicas. O objectivo é levar o público a adoptar um novo olhar criativo e artístico sobre o mundo da ciência. ATELIERS Curiosidades de Laboratório. Terça-feira, 20 Abril - 10h00 às 11h30. Partindo das caixas de memórias do Bartolomeu Cid dos Santos, esta actividade desafia o imaginário das crianças tentando estimulá-las à construção de caixas de curiosidades a partir de todo o universo objectual que caracteriza o espaço de trabalho de um cientista: o Laboratório. Arte & Ciência Quarta-feira, 21 Abril - 10h00 às 11h30. Esta actividade visa fazendo objecto de conceitos, técnicas e materiais científicos construir uma ponte entre as artes plásticas e a ciência, nomeadamente ao nível da prática clássica da pintura e da exploração de materiais biológicos para produzir arte. Bactérias que brilham Quinta-feira, 22 Abril - 10h00 às 11h30, Domingo, 25 Abril - 15h30 às 17h00. Esta actividade pretende estabelecer uma ligação com a actividade de gravura e print-making utilizando um meio biológico como matriz de trabalho. O atelier será constituído pela preparação de caixas de petri com agar, a observação de bactérias luminescentes e a cultura de bactérias existentes nas mãos. Plasti-células Sexta-feira, 23 Abril - 10h00 às 11h30. Construção de diferentes células do corpo humano utilizando a plasticina: células do coração, células do cérebro, da pele, dos intestinos, dos ossos Ilustração Científica Sábado, 24 Abril - 14h30 às 17h30. Este atelier tem como objectivo sensibilizar os participantes para a criação de imagens, capazes de veicular de modo claro e cientificamente rigoroso, os conhecimentos e informação de carácter científico, sem menosprezar a sua importância estética. WORKSHOP Cozinhar a Experimentar . Sábado, 24 Abril e Domingo, 25 Abril - 10h30 às 12h30 "A tradição já não é o que era". A 2780 Taberna alia à tradição a ciência e a inovação para criar novos conceitos e sobretudo novas e diferentes formas de fruição dos alimentos. Recorrendo à gastronomia molecular reinventam tradições ao criarem novas receitas e novos sabores. Neste atelier construir-se-á um menu. Elaborar-se-á confecção dos pratos com explicação dos vários passos e técnicas. Seguida de uma degustação e discussão. JOGO INTERACTIVO Viagem pelo Genoma Humano. Sábado, 24 Abril - 15h00 às 16h00 e 16h30 às 17h30. Jogo interactivo em que os participantes fazem o percurso desde o DNA, ao gene, ao genoma, às proteínas, à sua estrutura no espaço e à sua função. TEATRO Anita no País das Neurociências. Domingo, 25 Abril - 16h30. Anita, rapariga espevitada, tem um problema. Por vezes não consegue esperar por coisas boas quando estas demoram muito tempo a chegar. Felizmente encontra um grupo de investigadores de neurociências com espírito aventureiro que estudam as coisas que o cérebro faz e a forma como isso influencia o comportamento das pessoas. A aventura começa onde começam os sonhos e é num sonho que Anita é levada numa viagem aos bastidores do centro de neurociências, conhece personagens peculiares e descobre coisas que não sabia acerca do seu cérebro. É o mundo das neurocoisas! Sentir, pensar, agir. VISITAS COMENTADAS O-que-vê-um-cientista-ao-olhar-para-uma-obra-de-arte? Visitas comentadas à exposição de Bartolomeu Cid dos Santos que visam dar a perspectiva da leitura plástica e estética que um cientista fará ao olhar para uma obra de arte. Desconstruir a formatação mental predefinida pela prática e metodologia científica é o desafio que lhes propomos. CAFÉ - CIÊNCIA Sexta-feira, 23 Abril - 21h00 às 22h30. Uma conversa entre café, bolos e "cerejas", com os cientistas que colaboraram no programa. De que fala um cientista quando não fala de ciência? Em que pensa? Que interesses tem? Desmistificar a figura do cientista é afinal do que se trata. Para público em geral. CONTACTOS Palácio Anjos, Alameda Hermano Patrone, 1945-064 Algés Tel. 21 4111400 http://camb.cm-oeiras.pt - camb@cm-oeiras.pt
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Abr 10, 2010
Horta do João Moura 1 Uma das escavações arqueológicas que a ERA tem em curso é neste sítio que integra duas câmaras funerárias, praticamente encostadas. As arquitecturas incorporam componentes escavadas na rocha e elementos construídos, nomeadamente ao nível da parede e, eventualmente, das coberturas. Relativamente as estas últimas, os dados são inconclusivas. Como em muitos outros casos de monumentos encarados como tholos, também aqui os restos de falsa-cúpula não estão presentes. As imagens referem-se à mais pequena das câmaras que inclui restos humanos de inumações primárias acompanhadas de mobiliário funerário tipicamente Calcolítico e de que se destacam vasos cerâmicos e conchas (pecten), de forte simbolismo mágico-religioso. A outra câmara, mais ampla, integra (até ao momento) apenas vestígios de inumações secundárias, evidenciando assim uma prática transporte de restos humanos a partir de outro local ou a sua forte manipulação neste local. Estes casos remetem para fenómenos de gestão da morte particularmente complexos. A sua associação ao enorme complexo de recintos do Porto Torrão, que se relaciona com um vasto conjunto de necrópoles ou sepulturas a ele associados, apontando para uma realidade relativamente à qual, apenas agora, começamos a despontar o véu. Miguel Lago, Abril de 2010
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Mar 29, 2010
A ERA contribuiu, desde a sua fundação em 1997, para avanços significativos no nosso conhecimentos sobre o passado. Foram centenas de intervenções arqueológicas, desde Estudos de Impacte Ambiental ou acompanhamentos de obras, passando por escavações. Na linha da frente estiveram centenas de arqueólogos, técnicos assistentes, antropólogos, trabalhadores e outros profissionais. No escritório ou no campo. Todos são importantes. No entanto, é no terreno que o mais fascinante começa a acontecer: a descoberta, a lenta revelação dos vestígios. Entre responsabilidade, esforço e privilégio, lá estão os profissionais da ERA. É o caso das equipas que em Ferreira do Alentejo realizam escavações para a EDIA. As condições não são fáceis, os recursos são escassos. As empresas são feitas de pessoas e a sua motivação não é fácil nos tempos que correm. A Empresa conta com todos; todos contam com a Empresa. Miguel Lago, Março de 2010
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Mar 26, 2010
Os trabalhos arqueológicos que decorrem no sítio da Horta do João da Moura 1, enquadrados numa perspectiva de minimização de impactes sobre o património cultural decorrentes da execução do Bloco de Rega de Ferreira, Figueirinha e Valbom (Fase de Obra), têm revelado contextos interessantes da Pré-História Recente. Foram identificadas várias estruturas negativas, entre as quais, na sondagem 1, a [102], onde foi identificado um individuo do sexo feminino com mais de 30 anos de idade à morte, encontrando-se com o tronco em decúbito dorsal e com os membros inferiores flectidos ao alto, localizando-se os ossos dos pés imediatamente abaixo do coxal. Facto interessante foi a presença, na sua cavidade abdominal, de um feto com cerca de 9 meses de gestação. Apesar de este indivíduo se encontrar aparentemente coberto por um depósito no qual foram recolhidos fragmentos de cerâmica manual Pré-Histórica, apenas será possível obter uma cronologia inequívoca através de datações absolutas.
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Mar 12, 2010
Arqueologia para desopilar
Incompetência ou falta de preparação para concretizar projectos de Arqueologia é muito comum em Portugal. Já foi pior, mas ainda temos muito que evoluir para atingir o patamar de outras áreas de actuação, que ao nível de projectos de investigação, quer ao nível de projectos de Arqueologia aplicada. Apesar de impaciência, não podemos esquecer que a Arqueologia foi quase sempre realizada sem grandes pressões, quer ao nível dos pressupostos teóricos que orientavam a investigação, quer ao nível do controlo de qualidade, de custos ou de prazos de execução. Normalmente, chegava-se a um sítio e as coisas iam andando; iam-se fazendo, enquanto se tinha tempo e dinheiro (pouco) para continuar; tudo isto, conjugado com voluntarismo e amadorismo. Para alguns, as campanhas de verão serviam para desopilar... Daí que cinco aspectos base, que eram impensáveis para muitos, sejam nos nossos dias de enorme relevância para todos aqueles que pretendem obter resultados credíveis e sustentáveis em Arqueologia: o que fazer; porquê; como concretizar; durante quanto tempo e (cada vez mais) com que custo? Todos eles remetem para a noção de definição de objectivos que, obviamente, deve estar inerente a qualquer intervenção arqueológica. Perante a sua simples enumeração, constata-se o absurdo, ou seja, que é uma raridade na generalidade dos casos, independentemente de falarmos de prestadores de serviços, de profissionais que executam ou mesmo de clientes de Arqueologia. Quase todos vão aceitando um sistema que pactua com a tradição da impossibilidade de prever e, portanto, de planear. Não sendo considerados aqueles aspectos, é evidente que a grande maioria das intervenções não são ponderadas por ausência de tradição neste meio e por manifesta falta de formação dos próprios arqueólogos. No entanto, estamos no limite: a nossa sociedade já não pode correr certos riscos riscos e a incerteza é um problema cada vez maior. Hoje, para quem está bem informado ou é muito exigente, já não é tolerável obter resultados científicos desproporcionados face ao investimento ou aceitar custos descontrolados. Por isso, por uma questão de sobrevivência, é urgente planear, executar e controlar de forma correcta. É o que pretendemos, cada vez mais, fazer na ERA. Também a Gestão de Projectos devia ser ensinada nos cursos de Arqueologia. Será que ainda ninguém pensou nisso? Miguel Lago, Março de 2010
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Mar 10, 2010
Na sequência das escavações arqueológicas realizadas no Largo de Santos surge agora uma primeira análise ao espólio de fragmentos de faiança ali recolhidos. Este trabalho surge numa óptica de continuidade dos trabalhos de minimização onde se pretende que a informação não se cinja à elaboração de um Relatório Final mas que sirva de base para outras abordagens mais detalhadas, não só ao nível do espólio, como ao nível das estruturas, da evolução da linha de costa lisboeta, entre outros aspectos que decorram destes mesmos estudos. Cada vez mais se impõe a necessidade de desenvolver os trabalhos de minimização para lá do que se produz no terreno e para além da informação imediata que daí decorre, não só devido à carência de informação específica sobre os sítios mas também devido às exigências da própria comunidade científica. Nas escavações do Largo de Santos foram identificados fragmentos de faiança que sugerem estar ligados aos despejos de alguma olaria de finais do século XVII ou primeiras décadas do século XVIII, localizada nas proximidades. Esta cronologia é avançada com base nos fragmentos de pratos recolhidos onde predominam os covilhetes (pequenos pratos sem decoração) muito requisitados pelos conventos portugueses e que parecem ter ditado uma moda de utilização doméstica. Surgem igualmente alguns fragmentos decorados com faixas barrocas e contas, decoração que sabemos prevalecer a partir dos finais de seiscentos e muito comuns nos contextos do Terramoto de 1755. A localização destes achados não é de todo estranha atendendo à proximidade da zona onde, a partir dos finais do século XVI, se desenvolveram as olarias de branco em Lisboa, como comprovado pela diversa documentação que coloca variadas oficinas naquela região de Lisboa (Mangucci, 1996). Seria efectivamente zona privilegiada para os despejos dos restos de produção. Os vestígios revelaram diversas peças em biscoito, a faiança após a primeira cozedura, mas antes do banho de vidrado que irá revestir a sua superfície com o vidrado branco opaco. Entre os achados destacam-se três fragmentos de caixas ou casetas, recipientes em cerâmica refractária com o propósito de levaram as peças de faiança ao lume, evitando a sua exposição ao fogo directo, minimizando as hipóteses de acidentes de cozedura, identificados nas UE 5006, e 1079. Estes exemplares revelam-se do mesmo estilo de outros que haviam sido recolhidos no Largo de Jesus (Santos, 2007), onde foi encontrada igualmente zona de despejos de olaria, embora aqui tenham sido igualmente identificados restos da fornalha de forno. Tratam-se recipientes cilíndricos com base plana e com fundo aberto. O diâmetro daqueles varia entre os 0,280 m e os 0,190 m, pelo que certamente serviriam para produzir diferentes tipos de louça, com distintas formas e tamanhos. Estranhamente e, ao contrário do que aconteceu no arqueossítio acima mencionado, não foram identificados trempes, cuja função seria separar, dentro das caixas, peças como pratos e taças, durante a cozedura.  Foram solicitados alguns fragmentos para a realização de análises de espectroscopia de Raman, oriundos de recolhas de superfície e da UE 115. Os objectivos desta técnica passam por identificar elementos utilizados na composição das pastas e vidrados comprovando cientificamente as informações que a documentação seiscentista nos tem vindo a indicar acerca da proveniência e utilização de diversas matérias-primas. Esta técnica vai incidir ainda nos pigmentos utilizados na coloração dos elementos decorativos comprovando a sua natureza, bem como algumas das técnicas utilizadas na produção desses mesmos vidrados, nomeadamente a temperatura de cozedura, com a vantagem de não ser destrutiva. De entre os achados foram identificados alguns fragmentos de cerâmica revestida a esmalte azul com decoração a azul, tradicionalmente identificados como produções sevilhanas do século XVII. A grande dispersão destes achados em Portugal e nomeadamente em Lisboa, muitas vezes associadas a zonas de produção, pode sugerir tratarem-se produções lisboetas, pelo que um dos fragmentos recolhido no Largo de Santos (UE 115), irá ser submetido a análises de pasta e comparado com as análises das chacotas, comprovando se utilizaram os dois a mesma pasta, provando a sua produção lisboeta. Os resultados obtidos através das análises destas peças serão ainda comparados com as informações obtidas através de análises semelhantes em peças recolhidas de caqueiros das zonas de produção de Coimbra e Vila Nova, tentando identificar diferenças ou semelhanças entre os três centros produtores. Bibliografia SANTOS, M. (2007) - Largo de Jesus. Contributo para a História Incógnita de Lisboa Antiga. Revista Portuguesa de Arqueologia, vol. 10(1), pp. 381-399. MANGUCCI, A. (1996) - Olarias de louça e azulejo da freguesia de Santos-o-Velho dos meados dos séculos XVI aos meados do século XVIII. Almadan. Almada. Centro de Arqueologia de Almada, pp. 155-168 Tânia Casimiro Inês Mendes da Silva
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Mar 08, 2010
Parte I Estando a trabalhar na ERA Arqueologia desde 2002, embora não seja arqueólogo ou desempenhe qualquer trabalho directamente relacionado com arqueologia (trabalho na área financeira), desafio-me (quando o dia-a-dia o permite) a participar em congressos "puramente" de Arqueologia. Este objectivo, tendo por detrás algum interesse próprio, visa um objectivo maior que é inteirar-me com mais detalhe do tipo de trabalhos que estão a ser desenvolvidos pelas diversas empresas (onde se inclui a empresa onde trabalho e a sua concorrência, claro), tipo de contextos que estão a ser encontrados, como é transmitida essa informação para o exterior, enfim, conhecer o mercado onde actuamos. Foi com esta perspectiva, que decidi participar no 4º Congresso de Arqueologia do Alqueva. Antes de mais, deve ser enaltecida a iniciativa levada a cabo pela EDIA afim de partilhar ao público os resultados dos trabalhos. Entenda-se aqui público como comunidade científica e não o público em geral. Sobre este aspecto, gostaria de dizer que, dada a dimensão, densidade geográfica, quantidade e importância dos trabalhos que estão a ser desenvolvidos no Alqueva, situação absolutamente ímpar no país nos últimos 5 anos, é uma pena que, mesmo nesta fase em que os trabalhos ainda se encontram a decorrer, não haja uma maior exposição pública dos referidos trabalhos, por forma a valorizar, não só os resultados obtidos das intervenções, mas, sobretudo, o que aporta para a sociedade em termos culturais, sociais etc. Neste sentido, este congresso ficou aquém das minhas expectativas porque quero assumir, inocentemente talvez, que a função primeira (ou última se quiserem) destas (e de todas) intervenções de arqueologia, para além da salvaguarda, registo do conhecimento, etc, é, inquestionavelmente, uma função social, entenda-se de partilha de conhecimento com o público em geral. Se o património, neste caso, as intervenções efectuadas e respectivas descobertas, não são, por si só, motivo suficiente para potenciar a sua divulgação, em termos financeiros, questão a que sou particularmente sensível, o investimento dispendido talvez merecesse um outro retorno à sociedade. Imagino que, no final dos trabalhos (2014???), vão ser publicadas monografias, eventualmente, realizadas exposições, teses de mestrado e talvez até doutoramento, para além de acções de comunicação, nomeadamente, seminários, "press-release" e outros. De qualquer forma, considerando que os trabalhos ainda estão longe de ser concluídos, creio ser uma oportunidade sem igual para ir mais além, promovendo social e culturalmente a arqueologia no melhor sentido, os institutos que a tutelam, empresas responsáveis pelas intervenções, em suma, a arqueologia e todos os envolvidos. Parte II No que se refere às comunicações, é facilmente percebida a indiscutível relevância dos contextos arqueológicos descobertos e a importância que representam no contexto da arqueologia portuguesa. Independentemente da empresa que o fez, e note-se que me estou a referir em termos muito gerais, logo com excepções, assisti a apresentações absolutamente descritivas e muito pouco interpretativas, o que me surpreendeu. Mediante o período cronológico e a descrição apresentada, em todas as comunicações temos estruturas, fossas, fossos, silos , fornos, hipogeus, de todos os formatos e feitios, em alguns casos concentrados em área, outros mais dispersos. Depois temos necrópoles, sepulturas com vários tipos de disposição e materiais como cerâmicas, líticos, lâminas, pontas de seta, campaniformes, contas etc. Ou seja, dada a semelhança entre as comunicações, à terceira ou quarta comunicação, confesso que era mais do mesmo. Não quero desvalorizar a importância destas informações (que na maioria dos casos até já deve estar publicado nos relatórios) para quem as analisa e consegue, seguramente melhor do que eu, tirar outras conclusões mas, mais uma vez, vi em grande parte destas comunicações descrições do que foi escavado, como foi escavado e o que foi encontrado, mas muito pouco da definição do que poderia ter sido o sítio e a interpretação que cada um podia fazer sobre o sítio. Compreendo que isto pode ser o mais complicado em arqueologia mas é também o mais desafiante e interessante na arqueologia. Sendo algo sintomático em praticamente todas as comunicações que assisti, e repito isto é uma conclusão pessoal, pergunto-me se será o facto dos trabalhos ainda estarem a decorrer a razão para as comunicações serem meramente "descritivas" ou se este facto será resultante de alguma lacuna mais estrutural na arqueologia praticada em Portugal. Isto leva-me a perguntar se, numa base na "arqueologia descritiva", não podemos considerar que temos uma arqueologia "mecânica" na medida em que basta seguir as regras básicas de "como escavar"? Deve a arqueologia limitar-se a "descobrir" e a revelar essas descobertas ou deve cada arqueólogo/empresa imprimir o seu cunho pessoal nas intervenções através da sua interpretação própria? O que me leva ainda a perguntar, neste contexto, sobre o que determina a importância de um sítio arqueológico: a importância dos sítios manifesta-se pela importância do que descobrimos ou pela importância que atribuímos ao que descobrimos? Mas se não interpretamos o que descobrimos, como podemos saber a importância dos sítios? Parte III Outro aspecto que não posso deixar passar em claro nas comunicações a que assisti é o formato das apresentações e à performance dos oradores. Estando eu habituado a comunicações noutras áreas de actividade, confesso que é com alguma estranheza que assisto a comunicações feitas de costas para a audiência, a olhar para o chão, de mãos na cintura ou em "posição de sargento", já para não falar nas comunicações lidas, umas vezes até mal lidas, outras vezes lidas a 250km/hora. Evidentemente que este é um pormenor. Mas, efectivamente, se a arqueologia pretende aportar valor à sociedade em geral, através do património histórico e arqueológico, com um contributo social e culturalmente útil e fundamental nos dias de hoje, tem de dar uma imagem de si, antes de tudo, consistente, clara, interessante e, em muitos casos, adaptada aos diversos públicos. Nunca este objectivo será alcançado com este tipo de exposição pública a que assistimos que, enquanto público em geral, é pobre e não passa uma mensagem cativante. Repito mais uma vez que estou a falar em termos gerais. Esta situação agrava-se ainda mais quando, no caso das empresas que, por serem isso mesmo, empresas, deviam ser profissionais e competentes nas suas apresentações. Obviamente que não é um problema unicamente da arqueologia, mas confesso que num projecto de arqueologia, dada a importância que a exposição pública assume, este problema é bem mais notório. Luís Nuno
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Mar 07, 2010
Enquanto as autorizações de trabalhos arqueológicos forem concedidas exclusivamente a pessoas individuais, para que servirá a institucionalização de um sistema de alvarás na actividade arqueológica portuguesa? Nesse caso, as empresas estarão credenciadas para quê? A actual autorização, pouco exigente e só concedida a arqueólogos, corresponde a um alvará, não existindo empresas no enquadramento legal específico da nossa Arqueologia. Um sistema cego de alvarás ou de autorizações para execução de trabalho que não implique as empresas mais não será do que uma ficção, podendo as mesmas continuar no mercado sob a fachada de autorizações concedidas individualmente aos seus arqueólogos. De facto, se as empresas não forem agregadas ao sistema, quem irá solicitar o alvará? Mesmo criando mecanismos que obriguem a adquirir alvarás, por parte das empresas cujos estatutos incluam a actividade arqueológica, poderemos obter como resultado um mero mecanismo de cobrança de taxas pelo estado, podendo empresas de muito baixa qualidade e evidentes comportamentos desviantes do ponto de vista ético continuar tranquilamente no mercado, desde que reúnam a estrutura orgânica e financeira exigida. Esperemos que a reforma preconizada pelo IGESPAR e em preparação seja muito ponderada para poder ser consequente. Caso contrário, temo que tudo fique na mesma, desresponsabilizando as más empresas de Arqueologia, confortavelmente refugiadas por trás dos arqueólogos e escudadas no actual modelo de baixo nível de exigência. Inaceitável! Miguel Lago, Março de 2010
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Mar 04, 2010
O blog do NIA atinge o seu post nº 200. Estes números "redondos" são normalmente aproveitados para balanços, olhares retrospectivos e coisas desse género. Não fugindo a essa regra (e até porque alguns se têm dedicado ultimamente a discutir professias realizadas num passado recente), resolvi olhar um pouco para trás, não para uma professia, mas para um diagnóstico. Em 2003, na introdução à secção temática da revista ERA Arqueologia nº 6 dedicada ao tema "Arqueologia Portuguesa e Produção Teórica" (publicada em 2004), escrevia: "Disciplinarmente, contudo, este desenvolvimento tem sido desequilibrado. Face a um crescente número de sítios intervencionados, de textos publicados, de graus académicos obtidos, de projectos apresentados, de intervenções de minimização e salvamento realizadas, o panorama no que respeita a preocupações teóricas, quer de natureza epistemológica, quer no âmbito das "teorias de enquadramento" ou dos modelos, tem-se revelado particularmente deficitário. Uma grande parte (demasiado grande) da Arqueologia Portuguesa parece viver despreocupada com as questões relativas à natureza da produção de conhecimento e das suas vinculações teóricas e ideológicas, quer em termos gerais, quer na sua área disciplinar específica." Nessa mesma secção temática, Lucy Evangelista escrevia, na sua colaboração intitulada "Da perpetuação do discurso à normalização da prática", o seguinte: "O verdadeiro amadurecimento da disciplina dar-se-á apenas quando estas questões, nos termos em que aqui são colocadas, deixarem de ser motivo de discussão e já não for necessário colocar em causa a fraca recorrência dos temas teóricos no quotidiano da Arqueologia. Esse, sim, será um sinal claro de progresso e de evolução qualitativa da Arqueologia" Passados sete anos, contam-se pelos dedos de uma mão (e ainda sobram) os textos escritos que falam do assunto, sobretudo no contexto que mais Arqueologia pratica: o comercial. Na net, os jovens arqueólogos reclamam sobre tudo, mas nem uma linha sobre este assunto. Nos colóquios somos encharcados de dados. Aparentemente, é um assunto que não motiva a discussão. Daqui se concluiria, segundo a equação de Lucy Evangelista, que estamos perante um sinal de "progresso e de evolução qualitativa". Se não falamos dos problemas é porque eles já não existem. Mas está a Arqueologia portuguesa realmente sem problemas? Não! Claro que não. Os salários são baixos, o trabalho precário e com más condições, suspeita-se de comportamentos pouco éticos, a incompetência prospera, a componente legal está velhinha, etc. Estes são assuntos que se debatem ciclicamente ao longo do ano. Logo existem. A questão da produção teórica não. Portanto, não existe. Do que não se fala não há. De facto, uma Arqueologia sem problemáticas dispensa qualquer teoria. Libertámo-nos dos problemas teóricos. E como conseguimos esta proeza que mais ninguém parece conseguir? À boa maneira do regime da actualidade política: se ninguém parece conseguir, baixa-se a exigência; se ainda assim não cumpre, anula-se a exigência. Problema resolvido. É assim que se está a resolver o problema do sucesso escolar e necessidade de qualificação e será assim que se vai tratar de outros. Finalmente a prática, liberta dos constrangimentos complicados, entediantes e supérfluos da teoria, livre de "filosofisses" e escritas ininteligíveis, pode desenvolver-se livremente, construindo o seu mundo de fazeres sem porquês. O que eu ainda não percebi é como é que um fazer sem "porquês" vai conseguir gerar uma área de actividade profissional, no campo da ciência e do património, socialmente reconhecida, bem paga e com boas condições de trabalho. Mas isso deve ser porque me apego à aparente complexidade das coisas, descurando a sua óbvia simplicidade. António Carlos Valera
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Fev 27, 2010
Álvaras de Arqueologia. Não, obrigado!
A Arqueologia portuguesa parece precisar de ser organizada. Infelizmente, são cada vez mais aqueles que pretendem que a faceta comercial da actividade, actualmente (e provavelmente no futuro que antecipamos) a que enquadra a esmagadora maioria dos projectos, seja fortemente regulada, de forma estritamente quantitativa e não qualitativa: falamos das propostas que preconizam um sistema assente em alvarás, ou seja, num documento que garanta a autorização para o funcionamento das estruturas empresariais que actuam na Arqueologia. Será esta a receita, ou parte da receita, para resolver os problemas de falta de qualidade, densidade, credibilidade ou visibilidade da nossa actuação? Não creio, de maneira nenhuma. Ciclicamente, somos varridos por momentos de maior empenhamento na mudança. E então, surgem as fórmulas milagrosas: a Associação Profissional, a Ordem Profissional, o 2º ciclo como patamar mínimo para o efectivo exercício da profissão, o alvará para as empresas,... A origem dos nossos problemas está na falta de rigor da classe arqueológica e na dificuldade que a tutela demonstra em definir uma Visão para o futuro e uma incapacidade em assentar de vez patamares de exigência ao licenciar, fiscalizar e aprovar projectos. Uma deontologia profissional amplamente valorizada e uma clareza ao nível das exigências técnicas e científicas inerentes à apreciação de planos de trabalho (incluindo a avaliação dos recursos humanos e técnicos associados), à fiscalização ou apreciação final de trabalhos executados, permitiriam resultados concretos. Isso, sim. De pouco servirão a Ordem, os alvarás ou os regulamentos que não passem pelo efectivo incremento das boas práticas consensualizadas e pela rigorosa definição dos níveis de exigência pretendidos para a prática arqueológica. Sem isso, tais medidas apenas garantirão o status quo e a defesa dos interesses instalados. Não aprecio uma estratégia assente em regras que procuram limitar a liberdade de actuação a partir de critérios que em nada se relacionam com a nossa actividade. A título de exemplo, será legitimo limitar uma empresa a concorrer à execução de um projecto apenas porque não tem no seu quadro operários, ou porque o seu capital social é mais limitado? Serão estes os critérios relevantes para assegurar qualidade e profundidade na execução em Arqueologia? A procissão vai no adro. Vamos discutir as boas ideias para o futuro. Miguel Lago, Fevereiro de 2010
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