O NIA é a área de Investigação e Desenvolvimento (I&D) da ERA-Arqueologia, S.A.. Reforçando o seu compromisso com a comunidade em que se insere, a ERA criou esta estrutura com o objectivo de alargar as suas possibilidades de intervenção e de evolução.

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0240 - Prenúncios

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Ruiu mais um pouco do património nacional aqui.

Um país progressivamente mais arruinado, material e espiritualmente.


0239 - Memória

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A questão da precariedade é um assunto do momento. A precaridade de pessoas, de profissões, de empresas, do Estado, do país. Portugal está numa situação precária.

No que respeita à Arqueologia Profissional, há quatro anos, aqui neste mesmo blog, introduzi o problema, depois de o ter discutido antes noutro blog entretanto publicado em livro pela ERA Arqueologia.

O problema é complexo e está intimamente ligado à trajectória do país e do mundo nas últimas décadas. Hoje não há ilhas. Tudo está relacionado, são inúmeras as dependências. Num período de ilusória prosperidade (como hoje amargamente consciencializamos) geraram-se condições para que uma Arqueologia profissional emergisse. E ela creceu depressa, demasiado depressa, num ritmo que foi mais rápido que o necessário amadurecimento da classe profissional emergente e do necessário rejuvenescimento da classe arqueológica "dirigente".

Mas talvez mais grave, foi a ilusão que esse crescimento rápido produziu: a ideia que estavam criadas as condições da sua sustentabilidade. Mas não estavam e não existiu o necessário cuidado (e a visão) para atender às condições de sustentabilidade. A consolidação do projecto IPA nunca se conseguiu no seio do aparelho do  Estado e vem-se degradando; a necessária renovação da estrutura e da formação universitária não aconteceu na medida necessária e o alheamento académico continua; o mundo empresarial não se empresarializou verdadeiramente; a massa crítica necessária não cresceu na proporção desejada; os profissionais não se conseguiram organizar institucionalmente; a administração perpectuou as suas entropias; a disciplina e a profissão não conseguiram aproveitar os tempos favoráveis para estabelecer e consolidar a sua relevância social; a Arqueologia, de facto, não entrou na conversa do motorista de táxi.

A comunidade arqueológica portuguesa falhou, tal como o país falhou, uma oportunidade. Porque haveria de ser o sector diferente?

Hoje sentimos os resultados desse falhanço, a todos os níveis. E nesse falhanço há gente mais responsável e gente menos responsável, gente que procurou construir, gente que ajudou a destruir ou a empatar. Em todas as áreas. Quem são uns ou outros, dependerá, naturalmente, da análise e do entendimento de cada um. Mas uma coisa é, para mim, certa: sem consciência e compreensão da complexidade sistémica destes problemas, do entendimento do contexto histórico em que se formaram, dificilmente será possível abordá-los, quanto mais resolvê-los.

O que me espanta, ou deveria dizer entristece, é verificar a dificuldade que gente formada em ciências históricas vem revelando em aplicar ao seu tempo e à sua situação uma das mais valias dessa mesma formação: o entendimento de que nada se compreende destacado da complexidade das relações sociais contextuais (sejam do tempo curto ou longo) e nada se resolve sem um pensamento estratégico abrangente e fundamentado teórica e ideologicamente.

Aqui atrás de mim, na TV, Francisco Assis acaba neste preciso momento de dizer (a evidência) que vivemos tempos tumultuosos e difícies. Seguramente. E, muito previsivelmente, "tsunamis" estão a caminho. E as imagens do Japão são esclarecedoras: vai tudo à frente, sem critério e sem justiça.

Mas haverá, também seguramente, sobreviventes. Esperemos que sejam gente interessante e consequente.

António Carlos Valera


0238 - Lá... como cá

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O problema é geral e estrutural. E para os partidários das soluções estatizantes e centralizadoras, aqui está o que também ocorre com o famoso INRAP:

http://plaudite-ciues.blogspot.com/

A perda de qualidade é geral e começa logo na academia e, num mercado que não o quer ser, só pode piorar.

Construir a nossa relevância social. Uma vez mais. A única solução sustentável. Mas existirá massa crítica e empenho para o fazer?


0237 - Porque é... "impulse".

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Estava aqui a trabalhar em casa e, como de costume, tinha a TV ligada na Sic Notícias. Estava a passar o programa Ciência Global e a entrevista (já passada até à exaustão) a uma investigadora que foi premiada.

Um programa dedicado à divulgação e promoção da investigação científica realizada em Portugal. Mas deste programa estão totalmente ausentes as Ciências Sociais.

Ouço o programa e vejo discutirem-se investimentos em investigação tecnológica e das ciências "duras"; vejo reportagens junto de empresas que se relacionam com centros de investigação uma vez mais nas ciências "duras"; vejo a ministra a falar de ciência tecnológica e informação interactiva no domínio das ciências "duras"; vejo e concluo que, em Portugal, como talvez na Europa e no Mundo, Ciência é cada vez mais física e técnica e cada vez menos social e humana.

Dir-me-ão que as ciências Físicas e Técnicas proporcionam o que as comunidades mais querem (numa visão de mercado): melhores soluções técnicas, melhor medicina, máquinas para produzir mais barato, mais rápido, com menos gente. Uma concepção de desenvolvimento tecnocrática, mercantilista, economicista, onde a dimensão humana é cada vez mais... menor. Ainda não consegui ver um programa destes com uma orientação para as Ciências Sociais. Ainda não vi programas com entrevistas a premiados em ciências sociais (e também os há). Os destaques mediáticos das realizações científicas nacionais não contemplam as tais Ciências Sociais. Porquê?

Os média criam, mas vão sobretudo atrás. Eles também respondem ao mercado e são cada vez mais dependentes dele e de outras coisas. O conceito de notícia é, hoje, uma questão sociológica muito complexa.

Mas, no fundo, o que tudo isto revela é a incapacidade de quem está em Ciências Sociais conseguir tornar-se socialmente relevante. Talvez pela ilusão de que basta existir um interesse de uns quantos sobre um assunto para que isso se torne interesse de todos. Talvez porque exista a ilusão de que basta a consagração na lei para existir a consagração na sociedade. Talvez porque exista um coluvião ou aluvião de mediocridade nessas áreas, que dificulta a construção da tal relevância social.

O problema é que é a sociedade que paga e não a lei ou a moral. Relevância social é o futuro sustentado de qualquer sector de actividade. (E perdoem-me a repetição).

António Valera


0236 - Animal paws in funerary contexts

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Está já disponível para descarregamento (secção publicações/poster) o poster

António Carlos Valera e Cláudia Costa (2010), "Animal paws in funerary contexts in southern Portugal and the segmentation problem"

apresentado (pela segunda signatária) à   11ª Conferência Internacional do International Council for Archaeozoology, Paris, 2010 (finaciamento FCT).


0235 - Absurdo, ignorância e património

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Este é um exemplo notável do muito que há por fazer e, sobretudo, da necessidade de consciencializar que a Educação Patrimonial é um trabalho que nunca está feito (como a educação para a Democracia).

Quando parece que se conseguiu... tudo parece regressar ao início.


0234 - Era uma vez o património 49

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Finalmente, a verdadeira "reforma"!

 

Está em curso mais uma reforma da tutela da Arqueologia portuguesa. O IGESPAR vai continuar a existir, sem se saber com que competências concretas (seguramente poucas). Quanto às Direcções Regionais de Cultura, irão receber novas atribuições, nomeadamente ao nível dos licenciamentos, acompanhamento e avaliação dos projectos.

Objectivamente, no nosso quotidiano, ou tudo vai continuar na mesma ou, o que é mais provável, tudo vai ficar pior. Por uma razão muito simples. As mudanças são exclusivamente orientadas pela necessidade de mostrar e propagandear que se está a cortar na despesa pública. Como o objectivo é mostrar e não propriamente cortar, faz-se de conta. Como? Extinguindo, fundindo ou alterando a orgânica de certos organismos e "mexendo" pessoas, daqui para ali. A despesa será a mesma ou superior porque, com esta pseudo regionalização, os técnicos, provavelmente com chefias ainda mais frágeis, terão ainda menos condições para trabalhar e virão vezes infindas a Lisboa, para tratar de inúmeros processos que, por muitas outras razões, não serão descentralizados.

O que falta a esta simulação de reforma é uma Visão de futuro, uma ambiciosa Política de Património com uma orientação relativa ao que pretendemos obter socialmente a partir dos investimentos (ou despesas?) realizados na nossa Arqueologia.

Falta assumir metas para a produção e difusão de conhecimento; faltam metas para a salvaguarda e valorização do Património numa óptica de usufruto dos cidadãos. Faltam uma estratégia e ideias que permitam cruzar a Arqueologia com outras dimensões da nossa sociedade, rentabilizando-se os recursos públicos e privados que são investidos em Arqueologia ano após anos e de que quase ninguém sabe dos resultados (também aqui a ERA procura ser uma referência pela divulgação do que realizamos).

Uma reforma inútil. Uma oportunidade perdida. Uma lamentável encenação.

Como reagir? No nosso trabalho diário, através do contacto com clientes, continuando a demonstrar que aquilo que produzimos é útil e vantajoso. Quanto ao salto para uma dimensão pública do nosso trabalho, temos muito a fazer. Aqui, é necessária criatividade, ambição, tempo e algum dinheiro. Sozinhos, será sempre difícil; articulados com outros, com áreas como as das artes, da cultura, da informação da comunicação ou das ciências e tecnologias, será mais frutuoso. Não deixa de ser difícil. E, talvez por isso, prevaleça o conformismo das rotinas e se fique tantas vezes pela pequena discussão ou intriga inconsequente.

Não esqueçamos que quem está neste momento no topo da Administração Pública do Património não tem a mínima noção do que é a nossa Arqueologia. Não conhece os sítios, não conhece o potencial científico e patrimonial das nossas descobertas e do que é diariamente destruído, nem imagina o valor das narrativas que podemos transmitir. Para romper essa ideia de uma Arqueologia inútil, profundamente instalada nesse patamar, temos nós próprios de redefinir o nosso modo de agir e a nossa (in)capacidade de comunicação.

Miguel Lago, Março de 2011

 


0233 - CEOPH

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O blog sobre Ontologias Pré-Históricas está a arrancar com uma adesão interessante. Sendo uma iniciativa que teve um forte incentivo do NIA, a sua concretização e desenvolvimento são matéria de interesse deste espaço. Até porque contribuir para dotar a actividade arqueológica de minimização e salvamento de uma verdadeira dimensão de investigação e reflexão em ciências sociais será sempre um dos objectivos do NIA.

Assim, convidamos todos os que por aqui passam a circular por lá e, se for caso disso, a associarem-se e contribuírem.

 


0232 - Círculo de Estudos em Ontologias Pré-Históricas

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O NIA participa na organização de um grupo que tem por objectivo promover e desenvolver práticas de investigação, debate, ensino e divulgação de sistemas ontológicos de comunidades da Pré-História da Península Ibérica e a sua contextualização e comparação a diferentes escalas espaciais e temporais.

As razões de ser desta iniciativa estão expressas numa Declaração de Intenções publicada no Blog criado para servir de plataforma de debate e divulgação  de informação e das actividades do grupo:

http://ceoph.blogspot.com

Todos os interessados são convidados a aderir e a participar.


0231 - Era uma vez o património - 48

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  A ERA vai às escolas

 

 

A ERA tem realizado algumas experiências ao nível da divulgação da Arqueologia nas escolas. Nos próximos tempos, estão programadas várias participações em aulas de História do ensino secundário.

De forma empenhada e voluntariosa, encaramos estas colaborações como pequenos contributos para uma lenta, muito lenta, alteração de mentalidades.

Contudo, no final de cada sessão, pode ficar um sabor algo amargo: apesar de um enorme entusiasmo geral, que revela uma forte apetência pelo conhecimento e compreensão do passado e de como e para quê trabalham os arqueólogos, no nosso quotidiano de profissionais, raramente nos cruzamos com o cidadão comum. Por isso, o nosso trabalho fica quase sempre arrumado em relatório e CD's, perdendo-se momentos únicos de partilha, propiciados pela execução de escavações em meios urbanos ou rurais, que poderiam ser abertos à população.

Obviamente, temos procurado estimular clientes e tutela para as questões do âmbito da Educação Patrimonial. Não é fácil...

Será que o Estado e os arqueólogos em geral não compreende que sem uma estratégia de visibilização social dos projectos de Arqueologia, dificilmente teremos uma disciplina mais madura e plenamente enquadrada na sociedade, cultura e economia portuguesas? Sob este aspecto, basta olhar para os estimulantes resultados do Brasil, Inglaterra, Estados Unidos ou França.

Afinal, não será Indiana Jones o maior dos divulgadores da Arqueologia?

 

 

 

Miguel Lago, Fevereiro de 2011

 


0230 - Igespar offline

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Hoje ouvi o Primeiro Ministro a vangloriar-se pelas reformas informáticas do Estado, que permitiram que os cidadãos passassem a tratar de muitos assuntos pela net, com conforto para os próprios, com benefício para os serviços, com poupanças para o país (a vários níveis). Não sendo simpatizante do nosso PM, subscrevo. Eu noto que nos últimos anos muito foi agilizado e custos (de todo o tipo) foram reduzidos. É algo de positivo o que foi feito nesta matéria.

 

Mas ao mesmo tempo que aplaudo, apupo. Apupo o Ministério da Cultura, que, suspeito, faz parte do mesmo governo e da mesma administração. Apupo, em concreto, o Igespar. E, mais em concreto ainda, a área responsável pela Arqueologia.

 

De facto, quando tratamos dos assuntos de contribuições (talvez o assunto mais importante actualmente para o Estado na sua relação com os cidadãos), podemos resolver quase tudo online. Declarações, tudo online. Vamos para o privado, e a nossa relação com os bancos é já quase que exclusivamente online. Na investigação, apresentam-se os projectos e as candidaturas a financiamentos online (na FCT, na Gulbenkian), até na área de Arqueologia. Acreditem. Eles acham-nos suficientemente aptos para o efeito e as plataformas suficientemente seguras, face a matérias tão relevantes.

 

Contudo, o Igespar continua, estranhamente, no século passado (talvez numa equívoca interpretação do conceito de património). Porque razão ainda temos que enviar as Fichas de Sítio (4 páginas normalizadas para resumir cada intervenção arqueológica) em papel, quando poderiam ser preenchidas online e de forma a que a informação migrasse facilmente para a base de dados Endovélico (poupando trabalho a funcionários que fazem falta noutros serviços)? Porque razão ainda temos que fazer os pedidos de trabalhos arqueológicos em papel e receber um ofício em papel com a autorização (caramba, não há empresa que não nos queira enviar facturas electrónicas para poupar, mesmo que evoque a politicamente correcta preocupação ecologista, que não deixa de lá estar)? Porque razão é possível enviar um relatório científico e financeiro online para a Gulbenkian e para a FCT e não para o Igespar? Porque razão não podemos consultar os relatórios aprovados online? Porque razão não existe um espaço do arqueólogo numa página do Igespar, onde esteja todo o cadastro do próprio, como acontece no das finanças? Enfim, porque razão o instituto do património está tão desfasado do seu tempo, das tendências da sua administração, das reformas do seu governo?

 

Finalmente, porque razão a Direcção do Igespar, que tantas e tantas vezes se queixa de falta de pessoal, não coloca a modernização do seu (e nosso) modus operandi como uma das prioridades para se tornar mais eficaz e responder às suas obrigações (que são cada vez mais complexas e diversificadas)? Beneficiaria o tempo de resposta e a circulação de informação, reduziria custos na área da Arqueologia (que, por vezes, se tem preocupado em reduzir onde não deve, isto é, no que deve efectivamente ser feito nas acções de minimização e salvamento), teria uma outra capacidade de gestão dos seus próprios recursos humanos.

 

Hoje em dia ouço falar de Planos Estratégicos em todo lado. Uma daquelas receitas tecnocráticas da moda. Onde está o Plano Estratégico do Igespar para optimizar os seus (nossos) processos administrativos? Ou simplesmente (sem as designações tecnocratas ou dos bonequinhos imbecis que frequentemente as acompanham), onde está o bom senso?


0229 - Produção e divulgação de Arqueologia

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O debate que tem ocupado este blog, centrando-se num aspecto concreto, tem revelado uma situação curiosa: habituados a contextualizar as suas descobertas, os arqueólogos revelam, por vezes, dificuldades em contextualizar a sua situação social em tudo o que ela implica. A complexidade está em todo o lado, mas também é certo que a nossa preparação universitária é bastante simplista.

Seja como for, há várias "caras" para a mesma moeda. Deixo aqui um texto em que, tratando de uma, acabo por aflorar várias. Coisas que frequentemente passam despercebidas, num tempo em que não há tempo para ler (apesar dos esforços para disponibilizar os textos online).

Ver aqui.

 


0228 - Era uma vez o património 47

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 Quem quer os materiais?

 

Está instalada em Inglaterra uma polémica sobre a gestão dos restos humanos recolhidos em escavações arqueológicas

(http://www.guardian.co.uk/science/2011/feb/04/archaeologists-forced-to-rebury-finds).

 A discussão é interessante e estimulante. Na Arqueologia portuguesa abundam os tabus, certos assuntos de que quase ninguém fala. Um deles é o da vacilante política de gestão de espólios de que a componente osteológica é apenas um exemplo.
A situação é, genericamente, desastrosa: descontrolo sobre inventários e locais de depósito; descontrolo relativamente às condições ambientais dos depósitos; descontrolo no que respeita à segurança dos locais de reserva. O Estado, a comunidade em geral e o meio científico não sabem o que temos em depósito, em que estado temos, quem tem colecções ilegalmente na sua posse ou que materiais já terão sido roubados...no entanto, as consciências parecem estar tranquilas. É um silêncio ensurdecedor.

Como em tudo, devemos saber tomar e assumir opções. O absoluto não existe em Arqueologia (como provavelmente em quase nada na vida) daí que seja impossível idealizar que registamos, recolhemos e guardamos tudo. Dispomos dos meios técnicos e científicos do nosso tempo, bem como estamos limitados logística e financeiramente pelo nosso contexto. Como somos homens, muito nos escapa e lemos a realidade de acordo com as nossas limitações.

Parece-me preferível reenterrar selectivamente materiais de forma assumida e consciente, a manter uma hipócrita postura de grande preocupação pelo tratamento dos mesmos. A ERA-Arqueologia entrega regularmente colecções nos mais inacreditáveis depósitos legais: lavados, marcados, acondicionados, contentorizados. Quantos anos resistirão às péssimas condições? Para quê o faz de conta?

Quanto à componente osteológica, na sequência de uma recente intervenção da ERA realizada na Igreja da Ota (http://obrasdaigrejadaota.blogspot.com/), foi decidido reenterrar os ossos humanos após elaboração do respectivo relatório final. Nesse sentido, será implantada uma “caixa” numa das sondagens abertas, podendo a colecção ser “revisitada” mais tarde. No mesmo âmbito e no momento próprio, decorrerá uma cerimónia católica. Aqui, fará sentido. Caso a caso, devemos tomar tais decisões de forma ponderada, sem receitas e respeitando vivos e mortos.
Mas não esqueçamos que as nossas opções, mesmo que claramente assumidas, não devem nunca branquear os baixos níveis de exigência da nossa Arqueologia. Para isso não contém com a ERA.
 

Texto publicado em Novembro de 2009:

http://arqueociencias.blogspot.com/2009/11/osso-do-oficio-que-fazer-com-eles.html

 

Miguel Lago, Fevereiro de 2011

 


0227 - Moreiros (actualização)

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 Como prometido, aqui fica uma actualização dos resultados das prospecções geofísicas que estão a ser efectuadas no sítio de Moreiros 2 (relembro, no âmbito do projecto do NIA orientado para a investigação dos fundamentos cosmológicos dos recintos de fossos neolíticos e calcolíticos, financiado pela Fundação Calouste Gulbenkian).

O sítio continua a "cescer" para além do inicialmente previsto e apresenta aspectos perfeitamente inéditos relativamente ao que se conhece para este tipo de contextos a nível peninsular (aspectos que, como compreenderão, se reservam para uma publicação formal e de análise minuciosa).

Mas estas imagens que vamos partilhando (também nisto vamos "inovando") são suficientemente esclarecedoras sobre a complexidade do sítio e sobre as vantagens desta abordagem metodológica (aqui feita em contexto de investigação programada - também é bom lembrar -, mas com inegáveis vantagens para os contextos de minimização e salvamento).

António Carlos Valera.

 

 

 

 


0226 - E as covinhas continuam...

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Os afloramentos com covinhas continuam a multiplicar-se, em função das escapadelas para prospecção ou da luz solar. Este é mais um.

 

Quanto aos fossos, se alguns já encerram recintos, outros continuam sabe-se lá para onde... mas imagens, só lá para segunda feira. Fiquem entretanto com a equipa em plena laboração.

 

(Da esquerda para a direita: Rui Boaventura; Helmut Becker; António Valera; Nelson Cabaço)


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