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Nov 26, 2007
Durante a formação que ocorreu nos Açores vários foram os assuntos discutidos com a participação das audiências, os quais mereciam uma amplificação e chegar aos ouvidos de muitos dos agentes que, por estas bandas, actuam na área do património e da arqueologia. Um desses assuntos, repetidamente evocado, foi a ausência de condicionantes relativas a trabalhos de arqueologia nos licenciamentos e depois o seu aparecimento a meio da execução dos projectos. De facto, exceptuando as situações em que património arqueológico desconhecido aparece inesperadamente no decurso das obras, é pouco compreensível que se passem licenciamentos sem referência a trabalhos arqueológicos (por exemplo de acompanhamento) para projectos que, à partida, os deveriam ter e, mais tarde, em fase de execução, a mesma entidade licenciadora (ou outra) venha introduzir essas condicionantes. Esta situação resulta, muitas das vezes, da forma como funcionam as entidades licenciadoras, passando os projectos à margem dos técnicos e dos serviços de património que poderiam estabelecer essas condicionantes. Dá-se, assim, pretexto para que, com razão, os promotores se queixem da forma como se actua na área do património, ficando, contudo, a dúvida sobre o eventual envolvimento de alguns nos "esquecimentos". Por outras palavras, a "insensibilidade" para com o património arqueológico começa logo dentro das entidades públicas que licenciam, no interior das quais parecem existir diferentes linguagens, pesos e entendimentos relativamente às políticas patrimoniais. Muitos problemas podem ser minimizados a jusante, mas só se resolvem se forem atacados a montante.
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Nov 13, 2007
As modernas tendências do restauro e da conservação dizem-nos, de forma quase axiomática, que as suas intervenções devem ser sempre reversíveis. Este axioma é uma das expressões do nosso modo actual de lidar com a contingência, com a mudança, e que nos leva à defesa do provisório, ou melhor, ao fim das tentativas de lhe resistir. Confesso contudo que, embora perceba perfeitamente o sentido deste princípio e, de certa forma, o perfilhe, não deixo de sentir que é uma espécie de casamento já a pensar no divórcio e, sobretudo, um receio de assumir "a nossa marca", a "nossa visão". Caso o futuro não goste ou saiba melhor, sempre nos pode remover da história de um edifício ou de outra coisa qualquer, voltando ao que era antes de nós. Repito que percebo e que é difícil discordar simplesmente, mas confesso que também fico incomodado. Naturalmente que poderão argumentar que a nossa marca é precisamente essa, a de nos assumirmos como parêntesis, procurando colocar no futuro o que recebemos do passado, interferindo o menos possível. A de nos transformarmos numa espécie de taxistas (dos silenciosos, claro) para património, numa fixação quase doentia no futuro. Mas esta anulação do presente é necessariamente ilusória e essa ilusão leva que, na ânsia de tudo preservar para o futuro, nem sempre se pense o que se está a fazer, com claros reflexos no... futuro.
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Nov 08, 2007
Abriu um concurso para a reabilitação desta igreja. A autarquia, no seu convite a propostas, escreve no ponto 2. "Critério de Adjudicação: Unicamente o do mais baixo preço".
Está tudo dito. Não interessa a qualidade da equipa, a qualidade da proposta técnica, etc., etc. etc. Não esquecer que estamos a falar de uma entidade pública. Esta é uma situação na área da conservação e restauro, mas muitas aparecem na área de arqueologia com os memos (mesmo) critérios de selecção. Não será , pois, de estranhar que quem presta serviços tenha que baixar preços e custos para poder trabalhar. E nesse contexto, não será igualmente de estranhar que cada vez mais estas empresas, na contratação dos seus colaboradores, apliquem os mesmos critérios. Mas que se diria se uma empresa colocasse um anúncio para a contratação de um arqueólogo, acrescentando que o critério de selecção era unicamente o preço mais baixo? Manifestações como estas ...  ... serão justificadas. Mas há que compreender bem todo o contexto, para reconhecer correctamente as causas e os efeitos, condição para a aplicação de qualquer terapia. Relembro, uma vez mais, Bachelard: não existe o simples, só o simplificado.
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Nov 06, 2007
"A Filosofia ajuda a que os cientistas não passem tanto tempo sem perceber o que estão realmente a fazer" (Desidério Murcho, conferência no Instituto de Biologia Molecular e Celular, Porto). Onde se lê cientistas , leia-se...
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Out 23, 2007
"Muitas pessoas produzem enunciados críticos sobre a sociedade actual e o papel da arqueologia que parecem correctos, que são sem dúvida inteligentes, mas como é óbvio não mudam nada. São vozes no deserto. E, sobretudo, servem mais a quem as produz do que a mudar qualquer coisa, porque a nossa consciência crítica tornou-se impotente perante as forças do mundo (já o era, mas não o sabíamos com tanta acuidade)." (Victor Oliveira Jorge, in tran-ferir.blogspot.com) Um cepticismo que não partilho, embora a angústia e o apelo à desistência sejam, por vezes, muito grandes. Não a partilho por razões de crença (engraçada a expressão "razões de crença"), mas também por razões de teoria: a afirmação de VOJ renova a dicotomia entre sujeito e estrutura, ao admitir a "impotência" da acção individual face às "forças do mundo". Os efeitos da acção individual são restringidos ao próprio agente e, assim, por extensão, a estrutura não é por ele influenciada, levando-nos a um novo determinismo social. Esta não é, contudo, a perspectiva do pensamento recursivo, que estabelece a dependência entre indivíduo e colectivo, entre acção e estrutura. Se o quotidiano nem sempre nos dá motivos de esperança, se frequentemente nos desanima, podemos sempre encontrar algum conforto na teoria e nas suas implicações práticas. Se a estrutura ("as forças do mundo") não é o simples somatório das acções individuais, se ela limita e simultaneamente viabiliza a acção, ela é também o resultado da acção. Por cansativo que seja (tendo em conta os resultados face ao investimento e às expectativas individuais), a acção individual age recursivamente sobre a estrutura: acção e estrutura pressupõem-se uma à outra. E este é um pensamento reconfortante, que nos pode animar a acção, à qual é reservada alguma consequência social (e não meramente individual). Por pouca que seja. Naturalmente que sei muito bem que VOJ partilha da concepção recursiva da relação sujeito / totalidade social e que o seu cepticismo é um desabafo face ao ritmo descompassado entre sua dinâmica e evolução pessoal e a da realidade que envolve Arqueologia portuguesa. Mas é inegável que esta mudou nas últimas décadas, por acção de muita gente, apesar das tendências dominantes se manterem na linha de uma positividade ingénua. A recusa do cepticismo, contudo, não pode gerar um optimismo ingénuo. A mediocridade organizada vai-se perpetuando, a ignorância habilitada vai-se multiplicando, o que reduz drasticamente a capacidade de intervenção e de influência dos "enunciados críticos". Da mesma cidade e da mesma universidade chega-nos este exemplo: "(...) sou Assistente de Arqueólogo, finalista da licenciatura de Arqueologia da FLUP, profissional da ârea há 11anos, escavo há 14 anos. e é com muita tristeza e revolta. e até com alguma raiva que todos, ou a maioria dos cursos livres se realizam no Sul. Infelizmente nem toda a gente vive no centralismo nem na mama da capital do "império", prá lem de Lisboa existe gente interessada na cultura, gente humilde e interessada nas coisas da sua terra. Quando é que a arqueologia deixa de ser usufruto de alguns "pseudo-intelectuais" e passa a ser a ciência da materialidade? Ciência do saber fazer, ciência na sua esseência socialista; e não ciência de alguns, poucos. que vivem bem e borrifam-se para o País real? Para além da grande Lisboa existe terra, país, cultura e gente informada. Porque não a regionalização? Será a Arqueologia apanágio dos Lisboetas? Existe tanta Terra, tanta gente, tanta cultura popular, outras línguas para além daquilo que se conhece. Partem para a descoberta do país real e depois digam alguma coisa. Já agora sou do Porto, da terra que deu nome ao noso país, e nacionalista." (excerto de texto que circulou na mailing list Archport) É difícil manter o empenho, de facto. Mas água mole em pedra dura....
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Out 16, 2007
Um dos principais problemas da arqueologia de minimização e salvamento continua a ser a sua relativa invisibilidade. Muitos e importantes trabalhos acontecem, sem que se aproveite o "momento de acontecer" para tornar visível, junto do grande público, o esforço que globalmente está a ser feito para articular a salvaguarda e a investigação do património arqueológico com o desenvolvimento e modernização do país. O acto da intervenção arqueológica é um momento privilegiado de transmissão de conhecimento, de sensibilização e de ensino e deveria ser mais utilizado na forma da disciplina e da profissão se comunicarem e de se tornarem socialmente relevantes. Há várias formas para o fazer. Esta é apenas mais uma, com dignidade, profissionalismo e inequívoco interesse. Uma outra face do "serviço público", que se distingue do "servir-se do público".
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Out 11, 2007
Quando se observa um justificado e profícuo investimento na simplificação e celeridade de uma série de serviços do Estado, estimulando o recurso às novas tecnologias, verificamos que a tutela da arqueologia não dá sinais de querer modernizar velhos procedimentos e introduzi-los no século XXI. Refiro-me concretamente a um conjunto de medidas, algumas das quais já foram sugeridas pela ERA ao antigo IPA, que permitem agilizar procedimentos legais e poupar recursos, passíveis de serem gastos noutras tarefas mais relevantes. Entre essas medidas conta-se a possibilidade de realizar on line toda uma série de obrigações. Por exemplo: - Poder fazer um pedido autorização através de um formulário on line, onde se pudessem juntar os anexos (ficheiros digitais) necessários;
- Poder preencher on line as Fichas de Sítio, cuja informação, depois de confirmada, poderia ser automaticamente introduzida na base de dados da tutela, libertando funcionários para outras tarefas;
- Poder preencher candidaturas a concursos (quando estes voltarem, se voltarem) on line, como acontece na FCT.
- Permitir a gestão de informação pessoal, curricular e outra, na base de dados da tutela (como acontece com outros serviços do Estado), levando a que esta esteja actualizada e evitando o constante envio de papelada.
- Colocar os relatórios aprovados em consulta on line (acabando com secretismo e entraves só favorecem quem tem algo a esconder, receia comparações ou controlo crítico dos pares).
- Permitir o preenchimento on line de relatórios preliminares ou de progresso ou possibilitar a sua recepção em formato PDF.
- Criar um serviço de atendimento on line para registo de denúncias, pedidos de informação, reclamações, etc.
- Colocar on line a base de dados de sítios com toda a informação disponível (nomeadamente a localização)
Tudo isto e muito mais pode hoje ser feito com critério, com segurança e com eficácia, traduzindo-se num claro benefício da prática arqueológica: facilita procedimentos, poupa recursos que podem ser reorientados, disponibiliza informação (vivemos numa sociedade da dita) e é mais transparente, favorecendo o controlo e avaliação da comunidade (fundamental quando a fiscalização estatal dá mostras de se enfraquecer). A inércia e a desconfiança, contudo, parecem manter-se.
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Out 02, 2007
Um dos futuros da Arqueologia poderá ser (e tem sido noutros países) a sua entrada no campo da Indústrias Culturais. Face a essa perspectiva, será interessante questionar porque razão as empresas de arqueologia existentes em Portugal nunca enveredaram decisivamente por este caminho e se têm mantido paulatinamente (com excepções pontuais que apenas confirmam a regra) na área da "simples prestação de serviços", mantendo-se afastadas da "área de criatividade" que deverá constituir qualquer indústria cultural. Uns responderão que não será essa a sua vocação específica. Outros que há défice de criatividade nos recursos humanos dessas empresas. Outros ainda lembrarão que não há ainda verdadeiramente um mercado capaz de sustentar o investimento nesse trajecto. Finalmente, outros recordarão uma mentalidade ainda fortemente enraizada: "Pensamos frequentemente na cultura e na economia como domínios distintos" (Andy Pratt). Sem esquecer as anteriores, gostaria de sublinhar esta última circunstância, quase axiomática neste país. Ela continua a dominar as políticas culturais, na forma como estas lidam com os impactos económicos da cultura. Se por um lado o Estado tem desenvolvido uma política instrumental da cultura, isto é, utilizando a cultura como factor de atracção de investimento e de reabilitação em determinadas áreas (ex. intervenção urbana), por outro continua a sentir grandes dificuldades (de fundamento ideológico) em defenir políticas que estimulem o desenvolvimento de verdadeiras indústrias culturais capazes de se sustetar fora da "política do subsídio". E quando esta se reduz em tempo de vacas magras, a "produção cultural" decresce, por falta de financiamento. Nisto as Indústrias Culturais não serão muito diferentes de outras "indústrias" em Portugal. A "Política do Subsídio" é uma política que se baseia na ideia de que cultura e rentabilização económica são uma espécie de azeite e água. Daí que o subsídio seja visto como uma despesa e não como investimento. Que dele não deve resultar rendimento económico, mas apenas um produto que se consome e esgota "em benefícios culturais", mas não é capaz (não pode) ser factor gerador de sustentabilidade económica. Por isso não se subsídia a qualidade dos projectos, mas sim o "fim não lucrativo". Isto não será verdade para todas as actividades que hoje se enquadram na designação de "Indústrias Culturais", mas é-o seguramente para muitas, consideradas, pela sua "nobreza", acima das mesquinhas questões económicas. Assim, gerou-se no público o hábito de não pagar (ou pagar pouco) para consumir determinada cultura. O mercado, que já de si é reduzido devido à realidade económica do país, torna-se ainda mais fechado. Atente-se no seguinte gráfico:  O Estado português está entre os que mais gasta (propositadamente não digo investem) em divertimento e cultura (proporcionalmente mais que os países mais desenvolvidos e economicamente desafogados) e, pelo contrário, as familias portuguesas são das que menos gastam nesses mesmos items. Poderíamos ser tentados pela explicação simplista: é o reflexo da situação financeira do país. Mas não existe o simples, só o simplificado (se me permitem citar Bachelard). Creio que esta situação reflecte precisamente, não tanto uma ausência de mercado, de consumidores, mas antes uma relação tradicional com a cultura que está a dificultar o desenvolvimento de indústrias culturais e a própria consequência social de muitas potenciais práticas culturais, como será o caso da Arqueologia. Citando novamente Pratt: "A minha tese é que a cultura, e particularmente a produção cultural - o fazer cultura -, se alterou nos últimos anos (...). Se aceitamos este ponto de vista, então penso que temos de aceitar também outra consequência, ou antes, desafio, : há que repensar a nossa relação com a cultura. Mais especificamente, aquilo que pretendo provar é que a nossa relação colectiva com a cultura - ou seja, o domínio da política pública - tem de mudar (...) sobretudo se quisermos explorar novos caminhos. Manter inalteradas as tendências do passado não é opção viável." (Andy Pratt, 2007,"O Estado da Economia Cultural: O crescimento da Economia e os Desafios da Definição de uma Política Cultural", A Urgência da Teoria, FCG.)
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Set 24, 2007
As aulas estão a começar nas Universidades. Para muitas é o início de Bolonha. É, pois, tempo de expectativa. Recentemente, em texto que será publicado em breve, escrevi: "O ensino da Arqueologia em Portugal tende a ser ministrado com pouca abertura crítica (no sentido metodológico do termo), evitando a discussão paradigmática como forma de ensino / aprendizagem. Abusa-se da exposição e descrição; evita-se os paradigmas concorrentes, omitindo-os ou não permitindo que se expressem na primeira pessoa (convidam-se os que pensam como nós e não os que pensam diferente de nós, evitando o ambiente de confronto e contradição); não se desenvolvem hábitos de verdadeiro debate teórico, nem se estimula a autonomia intelectual dos alunos relativamente a esse debate." Gostaria que, no contexto desta nova era que se abre ao ensino superior, esta minha afirmação fosse desmentida. É que este é um ponto importante para o crescimento e desenvolvimento da Arqueologia praticada por empresas. Num momento em que as Universidades, na procura de uma ligação ao mundo do trabalho, "investem" numa vertente mais técnica da formação, é bom que não se esqueçam que esse mundo do trabalho necessita igualmente de pessoas teórica e intelectualmente bem formadas, com capacidade e autonomia crítica, para que as suas aptidões técnicas possam ser postas, com consequência, ao serviço das empresas que procuram uma Arqueologia de qualidade.
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Set 20, 2007
Lembro-me de um filme em que um personagem dizia que, por ser político, roubava o chupa-chupa à criancinha ao mesmo tempo que lhe fazia festinhas na cabeça, mas que isso também queria dizer que mantinha as suas opções abertas. Manter as nossas opções em aberto implica estar permanentemente a pensar as situações, controlar a dinâmica das coisas e em cada momento perceber e avaliar alternativas ao rumo seguido. A submissão acrítica ao método é a submissão a uma maneira de fazer que não deixa opções, que dispensa a avaliação das situações e a ponderação de alternativas. Desde que bem treinados, os personagens podem desenvoler a actividade sem grande esforço mental. É percorrer, em círculo, o caminho aprendido ou, como diria Jorge Palma, "Domingo sabem de cor o que vão dizer Segunda-Feira". Entretanto, como sublinha John Gray, "os maiores cientistas nunca se deixaram tolher por aquilo que é hoje visto como o conjunto de regras do método científico" (que muitos ainda confundem com simples técnicas). A metodocracia é a prática científica tornada burocracia. Não se pense, pois, que os arqueólogos burocratas apenas circulam pelos gabinetes administrativos.
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Set 20, 2007
Ontem decorreu no Museu Nacional de Arqueologia mais uma sessão dos encontros ERA, desta vez dedicada ao tema da abordagem fenomenológica em Arqueologia. Após a conferência de André Santos gerou-se um debate, a meu ver extremamente interessante, sobre a temática. Pena é que, como de costume, o público fosse em número reduzido: à volta de 15 pessoas (da ERA, se me exceptuar, apenas três). Que mais dizer, que já não tenha dito?
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Set 20, 2007
Parte de um mosaico de ortofotografias rectificadas, pronto para desenho digital. Trabalho realizado pela ERA Arqueologia na villa (ou vicus?) das Almoinhas, Loures.
Imagem trabalhada e enviada por José Pedro Machado e Miguel Almeida.
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Set 13, 2007
Esqueleto de enterramento (séc. XVI?) na Igreja de S. Roque, Lisboa (escavações da ERA Arqueologia). Desenho em Cad sobre ortofotografias retificadas e montadas. (Enviado por José Pedro Machado)
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Set 10, 2007
A importância da desordem. É algo que muita gente não reconhece, na ânsia normalizadora. A ordem aparece associada a uma espécie de lubrificante, que faz com que tudo se desenrole sem atritos, sem problemas. Mas esta visão mecânica do atrito - do atrito como problema - será a mais conveniente para uma empresa? Edgar Morin fala de necessidade de uma empresa se assumir como organização complexa. Ora a ditadura da ordem traduz-se numa simplificação. Pelo contrário, sem extremismos, há que considerar a importância que a ordem, o programa, a estratégia, a borucracia e a desordem têm na vitalidade de uma organização: "As redes informais, as resistências colaboradoras, as autonomias, as desordens são ingredientes necessários à vitalidade das empresas" (E. Morin) Procurar o difícil equilíbrio entre constrangimento e liberdade: um problema milenar.
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Ago 28, 2007
Num texto de início de milénio, Felipe Criado Boado acusava: "... there is a certain predominance of reactionary archaeology, particulary visible in the turning to neo-empirical methods, an emphasis on high-tech research, improving of technical standards, Heritage management, and professional marketplace. These last factors in particular appear to be seeking uniformity for the discipline as a whole, from research and practice to teaching and dissemination". (Criado Boado, F., "2001 Scopes: problems, functions and conditions of archaeological knowledge") Que terão a dizer os nossos empresários, os nossos arqueólogos profissonais, os nossos "gestores e divulgadores" de património e os nossos professores sobre esta "acusação"? E no caso concreto da arqueologia empresarial: será ela prática tradicional, revolucionária, reaccionária ou simples "prestação de serviços tecnocrática"? Por mim, alinho com o Criado Boado no considerar que cada vez mais a arqueologia empresarial se assume como baluarte de uma reacção empirista que "enphasizes data and is doubting [or ignoring] of any type of grand theory or interpretation" (idem). Por isso o autor propõe a necessidade de reflectir novamente sobre a ONTOLOGIA da disciplina, isto é, em face da hegemonia da gestão patrimonial e da tecnocacria da prática arqueológica, reconsiderar as funções da disciplina e do seu objecto de estudo. Ou seja, o que é a Arqueologia e para que serve; o que é que andamos a fazer e para quê? Será que a grande maioria dos arqueólogos se questiona sobre isto?
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