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Jul 28, 2007
A equipa da primeira quinzena:  Manuela Coelho (Arqueóloga, Era Arqueologia); Ana Penisga (Arqueóloga, Era Arqueologia); Nélson Cabaço (Licenciado IPT, estagiário na Era Arqueologia); Francesco Orlandi (Estudante de Arqueologia Erasmus, FLUC); Sofia Silva (Estudante de Arqueologia FLUC); Gabriela Baron (Estudante de Arqueologia FLUC); Catarina Couto (Estagiária da Escola Profissional de Arqueologia do Freixo); Tiago Pinheiro (Estagiário da Escola Profissional de Arqueologia do Freixo); Jorge (trabalhador da Finagra); João (trabalhador da Finagra); Ângela Ferraira (Arqueóloga, Era Arqueologia); António Valera (Arqueólogo, Era Arqueologia). Faltam imagens do Alexadre e do Paulo, ambos trabalhadores da Finagra, as quais não houve ocasião para registar.
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Jul 27, 2007
Hoje, quando se atingiu o meio do período de escavação, surgiram 3 (possivelmente 4) fossas sob a área afectada pela surriba na metade norte da Sondagem 3 (o que deixou simultaneamente contentes e tristes alguns dos colaboradores que hoje deixam a campanha).  Já na sondagem 2, procedeu-se a um alargamento para Oeste em 5 metros, para tentar delimitar o Fosso 2 daquele lado. Esse alargamento foi feito recorrendo a meios mecânicos, já que se tinha verificado que os primeiros 80 cm estavam profundamente revolvidos pela surriba. Foi então, desde logo, possível verificar a largura aproximada do Fosso 2, que rondará os 6 metros. 
Na imagem aérea dos Perdigões apenas se definia uma linha que parecia corresponder a um fosso. São afinal dois, muito próximos e de tamanhos bem distintos. O que nos alerta para o facto de a imagem aérea ser apenas uma primeira aproximação à complexidade arquitectónica e espacial do recinto dos Perdigões.
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Jul 25, 2007
Afinal, onde se esperava encontrar um fosso (Sondagem 2) estão a definir-se dois, a escassos três metros um do outro.  Em primeiro plano o Fosso 1, com cerca de 2 m de largura no seu troço mais regular (alarga um pouco na parte que parece fazer uma curva). Ao fundo o Fosso 2, que se prolonga em largura pelo corte Oeste, pelo que não sabemos de momento quanto mede de largura. Seguramente terá mais de 3 metros.  Aspecto do limite Este do Fosso 1.  Já na sondagem 3, nada parece estar preservado sob a surriba. Dos depósitos revolvidos recolheram-se vários milhares de fragmentos de materiais arqueológicos.
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Jul 24, 2007
O fosso está agora bem mais perceptível. Só ainda não se percebe se tem uma fossa anexa que o cortou ou um traçado sinuoso. 
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Jul 23, 2007
Uma pequena aldeia no Alentejo tem destas vantagens. À noite, à porta de casa, sentados num balcão de xisto, aproveitando como tela a parede branca da casa do outro lado da rua, apresentam-se outros trabalhos e outros contextos intervencionados. Formação, divulgação, divertimento, enfim, momentos diferentes, agradáveis e didácticos.
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Jul 22, 2007
Hoje fomos visitados pelas equipas alemã e americana que estão a escavar em Torres Vedras, lideradas por Michael Kunst e Katina Lillios e que se deslocaram prepositadamente para ver os Perdigões e a respectiva exposição. Depois de uma visita à exposição da Torre do Esporão, onde o coelhinho despertou as maiores atenções, fomos ver o sítio e as escavações. Ninguém tirava os olhos do chão, espandatos que estavam com a quantidade de materiais à superfície. De todos os lados se ouvia: "está aqui um machado"; "está aqui um peso"! Lá deu para recolher mais uma escória de cobre e um fragmento de cadinho, que interessam em particular a este projecto.  As visitas entre colegas aquando dos trabalhos de campo são um factor importante na dinâmica de transmissão de conhecimentos e do debate científico. Um artigo não substitui uma boa conversa no local, da mesma forma que qualquer representação não substitui a experimentação de um sítio e da "sua" paisagem.
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Jul 20, 2007
A estrutura negativa da Sondagem 3 vai sendo progressivamente definida entre as valas da surriba. Este é o aspecto actual.
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Jul 19, 2007
Agora do outro lado e um pouco mais perceptível.
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Jul 19, 2007
Os materiais continuam a "sair" em grande quantidade. Sobretudo cerâmicas, já com mais de três mil fragmentos, fauna e pesos de tear (estes sobretudo na Sondagem 2). A contagem e separação de materiais transformou-se numa rotina que acompanha em permanência a escavação e que se estende para além dela. Quanto a estruturas, começa a definir-se um possível fosso na Sondagem 3. Entre o caos das valas provocadas pela surriba, algo começa a surgir. Para já, apenas uma imagem de difícil leitura, embora esteja perceptível o eventual limite interior do fosso. Para quem tenha "olho para a coisa". A complexidade introduzida pela surriba não deixa, contudo, de proporcionar um excelente exercício de leitura estratigráfica e de gerar pequenas opções de escavação, verdadeiros micro diagnósticos com que se procura ir "iluminando o caminho", os quais só aparentemente fogem a um dos preceitos da metodologia adoptada (Barker / Harris): é que para remover unidades pela ordem inversa da sua formação é preciso primeiro perceber a "ordem de formação".
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Jul 17, 2007
As escavações estão a decorrer em bom ritmo. Contudo, as perturbações causadas pelas surribas tornam o processo de interpretação da estratigrafia bem mais complicado. Dúvidas sodre a identificação de um fosso são o problema do momento. Outro problema é dar conta da quantidade de material que vai sendo recolhido Os Perdigões são assim. Onde quer que se escave a quantidae e densidade de materiais é imensa. Em dois dias registaram-se mais de três mil fragmentos de cerâmica, inúmera fauna, dezenas de fragmentos de pesos de tear, pedra lascada, uma cota de colar e um artefacto metálico. Esta densidade é significante para a própria interpretação do sítio e para as questões relativas à sua temporalidade., já para não falar na questão do seu "estatuto" face aos seus contemporâneos locais. É uma variável tão importante como as estruturas, arquitecturas, organização espacial, integração paisagística (etc.).
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Jul 16, 2007
Começaram ontem as escavações nos Perdigões no âmbito do projecto de investigação dedicado às questões metalúrgicas. Foi dia de montangem logística e de início da escavação em duas áreas de 3x10 metros, com a remoção dos depósitos superficiais.
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Jul 14, 2007
Ontem passou na televisão mais um programa sobre a Dinamarca, a "vedeta" do momento. Ali, segundo nos explicou uma simpática senhora, existe o que designam por Sistema Tripartido na organização universitária. Um triângulo equilátero que tem num vértice as Empresas, noutro o Estado e no outro a Escola. Como exemplo, a senhora revelou-nos que, quando pensam em reformlar um curso como Gestão (por exemplo), consultam bancos, companhias de seguros, grandes empresas, etc. Enfim, uma prática que revela uma preocupação de orientação do ensino para responder a problemas concretos, mas também o reconhecimento de que, numa sociedade do conhecimento, este seguramente não se restringe aos muros da Escola. Não sei se noutras áreas em Portugal esta prática é seguida (embora tenha uma ideia), em Arqueologia seguramente que não. Conheço, contudo, uma excepção. A Universidade do Algarve, quando estava a montar um curso de Restauro, solicitou a apreciação do plano curricular a um conjunto de empresas. Não sei se os comentários tiveram algum proveito, mas a consulta, só por si, revela uma outra atitude e percepção da realidade. Andamos quase sempre atrás, mas vamos andando.
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Jul 13, 2007
Era o que se anunciava há muito. E a Ordem dos Causídicos deu o primeiro (penso eu) empurrão: as inscrições na Ordem encerraram, porque a mesma exige regulamentação que obrigue a que o acesso à profissão seja feita com "licenciatura mais cinco anos de estudos", forma curiosa de dizer licenciatura mais meestrado, ou, em "bolonhês", primeiro mais segundo ciclo, ou então (arrisco eu) mais dois anos de estágio. O argumento é o habitual: a redução da licenciatura em um ano é vista como uma redução da qualidade e da exigência na formação. O que será verdade, porque Bolonha não será aplicada com convicção e com respeito pelo seu espírito ma maioria das universidades. Um dos grandes problemas terá sido o facto de não ter existido a preocupação de articular a reforma, a montante, com o Ensino Básico e Secundário, e, a jusante, com as organizações profissionais. Aplicar uma reforma como a de Bolonha sem falar com quem está antes e com quem vem depois só podia dar nisto. E em Arqueologia? Como será? A Universidade, já se vê, está na espectativa da exigência dos dois ciclos para credenciação profissional. Mas o que pensam os restantes arqueólogos (os que se preocupam, claro)? E o que pensa a tutela, que, por falta de comparência de organizações profissionais com representatividade e autoridade, se vê com o exclusivo da credenciação nas mãos? E que devem esperar os actuais alunos de licenciaturas de Arqueologia para o momento em que acabarem os seus cursos? Mas ... é Verão! (A. Valera)
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Jul 13, 2007
Durante o próximo mês, este blog servirá de suporte à divulgação da evolução dos trabalhos de escavação arqueológica a decorrer nos Perdigões, no âmbito de um projecto de investigação da actividade metalúrgica (ver secção de Projectos em Curso). Esta prática tem sido seguida por várias equipas de arqueologia pelo mundo fora (inclusivamente em Portugal, com o caso de Castanheiro do Vento), seguindo modelos e registos diversificados, de maior ou menor sobriedade ou espectacularidade, mas que se enquadram globalmente numa perspectiva comum: a de que o discurso final da investigação é relativo às condições de realização da mesma e que a diponibilização pública do processo de investigação é importante para a melhor compreensão e crítica desse mesmo discurso. Ou seja, todas se baseiam no princípio de que a reflexividade e a sua exposição são hoje centrais numa "atitude científica", apesar dos riscos que tal pode comportar. Por outro lado, a progressiva generalização das perspectivas mais fenomenológicas vai conduzindo à valorização do experiência vivencial do próprio acto de investigar como factor activo e interveniente na produção científica, renovando o estatuto da emoção na prática científica, da qual fora arredado pelas pretensões positivistas. No Projecto Global dos Perdigões, a reflexividade (o pensarmo-nos a pensar e a fazer) foi uma exigência assumida desde o início. Mas a preocupação com uma "divulgação on line" não se prende apenas com esse objectivo de controlo reflexivo, mas também com a convicção de que a ciência só se dará a conhecer ao grande público enquanto processo construtivo quando mostrar ("musealizar") as formas como se organiza e labora, contribuido para desmistificações que só serão demasiado perigosas num mundo de ignorância (normalmente aquele onde as certezas absolutas são mais necessárias). É neste contexto e com estas preocupações que iremos expôr publicamente (no local e aqui) o evoluir do trabalho, assumindo as mais valias e os problemas que daí poderão sempre resultar. (A. Valera)
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Jul 13, 2007
A partir de hoje o Blog do Nia entra em funcionamento. Trata-se de um blog institucional, que congrega os colaboradores do NIA e da ERA Arqueologia S.A. que nele queiram participar. As temáticas a desenvolver são relativas às áreas de actuação da empresa (Arqueologia, Gestão Patrimonial, Conservação e Restauro), nas suas vertentes, técnica, científica, de formação e organização profissional. Apesar de ser mais institucional, procurará manter as dinâmicas e as "virtudes" do formato "Blog", disponibilizando uma caixa de comentários e cultivando um estilo descontraído, que informe, debata, sugira e critique de forma responsável.
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