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Set 15, 2009
A Era Arqueologia encontra-se a realizar uma avaliação arqueológica preliminar na Igreja Paroquial da Ota. Este trabalho pretende aferir, após a remoção do pavimento da nave da igreja, a existência, ou não, de vestígios arqueológicos existentes, nomeadamente, antigos enterramentos. Este post, no entanto, não pretende dar somente notícia deste trabalho. No âmbito da empreitada que agora inicia, o Pe. Manuel Silva criou um blog onde, numa base diária, fornece aos seus leitores notícias sobre a evolução dos trabalhos arqueológicos.
Esta é, na realidade, a melhor forma de vermos o reflexo do nosso trabalho na comunidade onde nos inserimos. Por outro lado, permite cumprir o objectivo máximo da dita Arqueologia Pública: o verdadeiro envolvimento social dos arqueólogos.
Inês Mendes da Silva
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Set 11, 2009
... outras coisas vão aparecendo. Como esta. António Valera
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Set 08, 2009
É assim. A geofísica é um trabalho cansativo e monótono de se fazer. Mas permite ir pensando noutras coisas e ir vagueando o olhar pela superfície limpa do terreno. E sempre que se limpa a superfície do terreno nos Perdigões, para além dos milhares de fragmentos de cerâmica, fauna e líticos, há sempre qualquer coisa de mais especial que aflora. Hoje, entre outras coisas interessantes, apareceu um punhal em cobre, ali a escassos 20 metros da sondagem em que estivemos a trabalhar no mês passado. Bastou um pouco de chuva e vento para o fazer aparecer. 
Punhal à superfície, com sondagem ao fundo A presença desta peça, um punhal de lingueta com nervura central, tipicamente campaniforme, vem reforçar a presença destes materiais na zona central do recinto dos Perdigões, que, como foi possível começar a perceber na sondagem realizada, estarão associados à estrutura em pedra que corresponde à mancha central observável na foto aérea. 
Punhal de lingueta com nervura central António Valera
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Set 06, 2009
Recomeçaram os trabalhos de geofísica nos Perdigões, ou, melhor dizendo, a preparação dos ditos (já que as medições começarão apenas amanhã). Preparação significa quadricular o terreno (quadrados de 40 metros de lado), colocando alinhamentos intermináveis de estacas, sob um sol abrasador. Tem sido assim para duas pessoas e um cão. Na sexta, no Sábado e neste Domingo de manhã. Por aí discute-se o voluntariado em Arqueologia. Por aqui, na sexta esteve um (uma) como voluntário e no Sábado e no Domingo estiveram dois (o cão nunca foi propriamente voluntário, pois não teve opção). Mas no final a imagem será bonita, importante, uma referência. As condições para a sua obtenção, essas, serão várias. A disponibilidade de alguns não será das mais valorizadas, mas terá sido condição do sucesso. Afinal de contas a palavra voluntário tem a sua etimologia em "vontade" (volição) que, como bem lembrou Alarcão num texto de referência, é parte imprescindível da acção, sem a qual nada se faz (num tempo em que 1/3 reclama por condições para começar a fazer e outro 1/3 aparece quando está feito).
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Ago 31, 2009
Estruturas de condução hidráulica detectadas em trabalhos da EPAL (Ajuda, Lisboa) A Era tem vindo a acompanhar, desde Outubro de 2008, os trabalhos de abertura de vala no âmbito do Projecto de Renovação de Rede da EPAL 70.02 na Ajuda e em Belém. Estas acções enquadram-se numa perspectiva de minimização de impactes sobre eventuais vestígios e contextos patrimoniais a serem afectados pelas intervenções em curso, sendo que as linhas que se seguem dizem respeito à detecção, em Março de 2009, de um curioso conjunto estrutural na Rua Coronel Pereira da Silva (Ajuda). Esta rua corresponde a uma transversal oriental da Calçada da Ajuda, encontrando-se entre a Rua Bica do Marquês e a Travessa da Boa Hora. Para um brevíssimo enquadramento histórico, refira-se que a abertura da Calçada da Ajuda é posterior ao Terramoto de 1755. Esta extensa artéria, com cerca de 1Km de comprimento, fazia a ligação entre o Alto da Ajuda e o lugar de Belém, permitindo, também, vencer a passagem da "Ribeira dos Gafos". Antes de 1755 a zona apresentava um povoamento disperso, caracterizando-se pela presença de campos de cultivo (trigo, pomares, oliveiras). A intensificação da construção ocorreu sobretudo a partir de 1726, e mais expressivamente desde a edificação do Palácio da Ajuda em finais do séc. XVIII. Significativa é também a implantação no local de numerosos quartéis. Figura 1 - aspecto geral da estrutura de condução hidráulica Entre os números de porta 40 e 44 da Rua Coronel Pereira da Silva foi detectada uma estrutura ao longo de um segmento de cerca de 18m de comprimento, superficialmente afectada pela anterior colocação de infraestruturas de electricidade e saneamento. Este conjunto foi objecto de desmonte parcial após a realização de registo. Trata-se de uma construção sólida, de orientação NE/SO, e que corresponderá àquilo que pode ter sido uma estrutura de condução hidráulica (pequeno troço de aqueduto ou levada de água). Um maciço (cerca de 0,56 m de altura) constituído por alvenaria de grandes blocos de calcário sobrepunha-se a uma base construída em alvenaria de tijolos de burro, que encerrava uma "tubagem" cerâmica. Todo este conjunto foi construído directamente sobre o afloramento calcário. Fronteiro ao edifício nº 40 observou-se, em corte, uma caixa de visita, construída solidariamente com o maciço e que se encontrava forrada com lajes de calcário, apresentado no centro um tanque para onde convergia a canalização de cerâmica. Note-se que o sedimento de enchimento da caixa de visita apresentava materiais muito heterogéneos (fragmentos de faiança, vidros, latas de conserva e tijolo industrial, integrados em depósitos de entulhamento), abarcando um espectro cronológico compreendido entre os séculos XVIII e XX.    Figuras 2, 3 e 4 - Fases do processo de detecção da caixa de visita As características deposicionais dos materiais registados não permitem uma datação fiável da realidade estrutural detectada Porém, é possível que tenhamos identificado o resto de um segmento de aqueduto de meados séc. XVIII - altura em que se intensifica a construção nesta área da Ajuda (sendo conhecido um troço de aqueduto na Travessa da Memória ou do Buraco, nas imediações do Palácio da Ajuda). Hipótese mais remota conduziria a uma associação entre a estrutura detectada na Rua Coronel Pereira da Silva e o encanamento da "Ribeira dos Gafos". Marta Lacasta Macedo António Neves Carneiro Alexandre Sarrazola
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Ago 21, 2009
Fin campaña excavaciones 2009. Universidad de Málaga Después de tres semanas de intenso trabajo desarrolladas entre julio y agosto, el equipo de arqueólogos de la Universidad de Málaga dirigido por el prof. José E. Márquez Romero ha concluido su primera campaña de excavaciones en el Complexo Arqueológico dos Perdigões (Renguengos de Monsaraz). Los objetivos de dicho proyecto, acordados en su momento por el equipo de la UMA y Antonio Valera coordinador del Programa Global de Investigação Arqueológica dos Perdigões (INARP), como bien es sabido, tienen como área principal de análisis la llamada Puerta NE. Esta primera campaña de excavaciones, en concreto, pretendía continuar las actuaciones desempeñadas por un equipo de ERA Arqueologia, (dirigido por Miguel Lago), en 1997, en el foso más externo del recinto, según se desprendía de las fotografías aéreas entonces conocidas. Aspecto del lugar al inicio de los trabajos (27/7/09) Los objetivos no han sido exclusivamente científicos, sino también metodológicos, logísticos, de organización de trabajo, etc. Casi todos ellos se han cumplido. Así, por ejemplo, se han experimentado formas de colaboración entre grupos diferentes trabajando a la vez en el mismo yacimiento (el equipo de ERA, dirigido por António Valera, se encontraba al mismo tiempo excavando en el área central). Se ha iniciado la formación de un equipo de doctores, licenciados y estudiantes de Arqueología de la UMA autónomo y bien compenetrado, lo que, creemos, augura un futuro ilusionante para las próximas campañas. Se han sentado las bases para una logística eficaz, en todo lo referente al alojamiento, manutención y transporte del equipo humano y material.
Vista general de los trabajos desarrollados en el foso En lo meramente científico, los resultados no son completos, pero sí muy positivos. En el debe queda no haber podido llegar al fondo del foso en cuestión, por falta de tiempo. Estamos seguros de que en la próxima campaña esta tarea se llevará a su correspondiente término. Por lo demás, todo son buenas noticias. Hemos realizado la necesaria limpieza y acondicionamiento de un sondeo arqueológico no finalizado hace doce años, lo que, si bien nos ha costado una parte importante del tiempo disponible, nos ha dejado un corte en perfectas condiciones para trabajar en él. El geólogo Francisco Torres ha visitado el lugar por primera vez, recabando información para la elaboración de un informe preliminar, que esperamos leer pronto, sobre la configuración geomorfológica del sitio y su entorno, así como sobre la formación de los depósitos arqueológicos que colmatan el foso en proceso de excavación, y los elementos líticos hallados en su interior. Finalmente, durante los trabajos en el antiguo corte de 1997, se decidió (de acuerdo con propio Miguel Lago), ampliar el mismo varios metros hacia el oeste, no con la intención de profundizar hasta la misma cota que el sondeo ya abierto, sino con la idea de que, simplemente retirando la capa superficial revuelta y limpiando, podríamos observar en planta el final físico del foso a su llegada a la puerta NE. Así se hizo, y los resultados cumplieron las expectativas, al localizar, en la esquina NO del corte, el nivel geológico que debía de formar el vano de entrada al recinto.
Vista general del corte estratigráfico al finalizar los trabajos (14/8/09). Se puede observar (en primer plano) en la planta de la ampliación de 2009, el trazado del foso exterior (color oscuro sobre el geológico más claro con un recorrido SE-NW; las marcas más oscuras SW-NE son huellas del arado). Por otro lado, en profundidad, se aprecia en la planta del sondeo iniciado en 1997, la UE 122 (última alcanzada en 2009) que destaca sobremanera entre las paredes del foso. En cuanto a la excavación propiamente dicha, se ha continuado en el punto exacto en el que quedó en 1997, documentándose nuevas unidades estratigráficas e interesantes relaciones entre ellas. En la intervención de hace doce años, en planta quedaron dos unidades, la 28 y la 74, renombradas por nosotros, para evitar confusiones, como 118 y 116, respectivamente. La 116 es una acumulación de grandes y medianas piedras caídas, o arrojadas, al interior de la zanja, con una inclinación que indica su procedencia desde el lado exterior de la estructura. En ella abunda la cerámica, sobresaliendo la sorprendentemente alta proporción de bordes, casi todos engrosados, respecto a los amorfos. La 118, por su parte, parece constituirse en la matriz sobre la que la 116 se depositó. Aquélla, la 118, se generaliza en la planta una vez retiradas las piedras, mostrando entonces mucha menos cerámica que el nivel de los bloques de piedra, pero, en cambio, muchos más vestigios osteológicos de fauna. Es entonces cuando se detectan numerosas mandíbulas, aparentemente de suidos, cortadas longitudinalmente, así como dos cuernos y algunos huesos largos de lo que podría ser uno o varios bóvidos. El análisis faunístico de este conjunto promete ser interesante. Desmontada la UE 118, y parcialmente bajo un episodio de erosión y deposición por corriente de agua (UE 123, pegada a la esquina NE del sondeo), fue localizada una nueva unidad, la 122, en principio, extendida por toda la planta, sirviendo, por tanto, como apoyo inferior de la 118. Esta, la 122, ha quedado por excavar, pero ya se intuye en ella un componente faunístico también alto.
Detalle de las cornamentas de bóvidos aparecidas en la UE 118 Como puede verse, los resultados científicos son, a la espera del trabajo de laboratorio, suficientes para justificar la intervención. Sin embargo, en líneas generales, esta primera campaña debe entenderse como un primer paso, como una inevitable fase de adaptación y toma de contacto con un yacimiento arqueológico muy extenso y complejo, con unas condiciones logísticas y organizativas mediatizadas por la distancia, y como una etapa de formación de un equipo humano con perspectivas de consolidación. En este sentido, debemos considerar la primera campaña de excavaciones de la UMA en Perdigões, todo un éxito. No queremos finalizar sin agradecer al equipo de ERA, de nuevo, su invitación a participar en el INARP, así como su completa colaboración en la resolución de todos y cada uno de los problemas científicos y organizativos con los que nos hemos encontrado. Asimismo, nos gustaría agradecer la visita de amigos y colegas durante los trabajos, como Juan Fernández (UMA) y familia, Miguel Lago, Cláudia Costa, Rui Velho, Antonio Cunha o Rui Mataloto, entre otros. Por último, no podemos olvidar las atenciones recibidas por el equipo de la UMA por los habitantes de la región, especialmente en las localidades de Telheiro, Outeiro y Reguengos de Monsaraz. Obrigado Amigos
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Ago 16, 2009
A campanha de escavações nos Perdigões deste ano terminou. A de geofísica retoma-se dentro de três semanas. No lado Oeste da sondagem confirmam-se os primeiros contextos neolíticos nos Perdigões: uma vala, duas fossas (possivelmente três), quatro estruturas de argamassa relacionadas com a combustão (possíveis fornos). Estrutura de argamassa encostada à parede da vala neolítica, junto à zona onde esta é cortada pelo fosso (igualmente neolítico). "Embasamento" de estrutura de argamassa que entra pelo corte Norte (a última a ser identificada - quarta, portanto). É agora claro que os depósito neolíticos foram parcialmente sobrepostos e até parcialmente cortados por uma ocupação posterior calcolítica que se detecta preservada a partir da zona mais central da sondagem. A última estrutura relacionada com esta fase a ser identificada foi mais uma fossa: Por último, a estrutura circular de pedra localizada na extremidade Este, mais tardia, revela um derrube para o interior que apresenta uma inclinação muito acentuada. Esta circunstância sugere que existirá um paramento interno ainda com uma significativa altura conservada e que possivelmente o interior da estrutura central terá sofrido um igualmente significativo rebaixamento do substrato geológico. Significa também que, pela sua profundidade e selagem pelo derrube, os contextos do interior estarão bem preservados e intocados pela surriba. Esta circustância, contudo, só poderá ser avaliada no próximo ano, pois o entendimento desta grande estrutura exige o alargamento em área da escavação nessa área.
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Ago 14, 2009
Sequência: restos de três estruturas de argamassa (fornos ?) encostadas ao geológico cortado (rebordo de fosso); início de detecção de fossa sob os fornos; confirmação da existência dessa mesma fossa; desmontagem dos restos das estruturas argamassadas e início da escavação da fossa. Aparentemente tudo Neolítico.
E nesta extremidade da sondagem, e para o Neolítico, já temos a seguinte sequência: fossa circular; cortada por vala (de possível paliçada); por sua vez cortada pelo fosso, que, estando quase colmatado, foi cortado à tangente por uma outra fossa (que também corta os sedimentos de preenchimento do dito fosso); sobre a qual se construiram os possíveis fornos encostados ao rebordo do fosso. Complicado? Bom, a geofísica sugere ainda pior.
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Ago 09, 2009
A escavação vai continuando, agora mais lentamente, que os contextos são mais complexos de definir. De uma ponta à outra da sondagem temos mais de mil anos: do Neolítico Final ao Calcolítico Final. Na extremidade Oeste, encostando à parade do fosso (que se parece confirmar do Neolítico Final) o forno está já completamente definido. Outro está a "querer" aparecer logo ao lado, na zona da vala (embasamento de paliçada ?). Um pouco mais para Este, os depósitos de enchimento do fosso são sobrepostos por ocupações calcolíticas. Destas escavou-se um fossa lareira (com terra queimada e nível de sedimentos com cinzas), no topo da qual se encontrava minério de cobre. Lá mais para o extremo (Este) algumas fossas começam a definir-se antes de se chegar à estrutura circular de pedra, E esta foi a equipa da semana:
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Ago 06, 2009
El Área de Prehistoria de la Universidad de Málaga ha comenzado, en la última semana de Julio de 2009, sus excavaciones en el yacimiento de Perdigões (Reguengos de Monsaraz - Portugal). Insertas en el Programa Global de Investigação Arqueologica dos Perdigões (INARP), que coordina Antonio Carlos Valera, y tras la realización de prospecciones geofísicas previas (en Agosto de 2008 y Junio de 2009), dichas excavaciones se están centrado en la puerta NE del recinto, concretamente en el foso exterior del mismo. La intervención, que constituye la actividad fundamental de esta campaña, tiene como objetivo específico retomar los trabajos realizados en el llamado sondeo 5 del sector L del yacimiento. Allí, en una primera actuación, llevada a cabo en 1997 por Era Arqueología, ya se había localizado y excavado parcialmente dicho foso. Nuestro sondeo se sitúa sobre un tramo del foso exterior del yacimiento, cercano a una de las puertas del recinto. En particular, se pretende agotar la secuencia de colmatación de dicho segmento de foso, no alcanzada en 1997, con la intención de aproximarnos a la naturaleza de las dinámicas de colmatación del mismo. Especialmente, interesa conocer, entre otras consideraciones, el origen de los depósitos y los tiempos de rellenado. Asimismo, esperamos poder datar de forma absoluta algunos de estos episodios deposicionales.  No se puede olvidar que entre los objetivos generales del proyecto de la Universidad de Málaga, además de ayudar a la caracterización general de la fisonomía del sitio, se encuentra el estudio de su temporalidad. Es decir, la reconstrucción de la relación temporal entre cada uno de los elementos estructurantes del recinto (fosos, hoyos, sepulcros....). En ese empeño, esperamos lograr una primera aproximación a la cronología de los dos fosos exteriores, y comparativamente, relacionarla con la necrópolis megalítica que se dispone entre ellos. La ocasión, además, se está mostrando propicia para colaborar científicamente y confraternizar con nuestros colegas del equipo de Era Arqueología, con quienes, en estas fechas, coincidimos en Perdigões. El equipo está dirigido por José E. Márquez (UMA) y lo configura: José Suárez, Elena Mata, Víctor Jiménez, José Luis Caro, Estrella Sánchez, Pablo Cuevas y Lara Milesi.
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Ago 01, 2009
Terminou a primeira quinzena dos trabalhos. Ao fim de muito tempo a definir as afectações da surriba, as coisas começam a aclarar e com informações que, sendo ainda de carácter preliminar e provisório, são sugestivas. A sondagem abrange duas áreas bem distintas: uma com estruturas negativas a Oeste e outra com uma grande estrutura positiva a Este. A estrutura positiva em pedra corresponde a um grande e largo muro que integra a estrutura circular do centro dos Perdigões (a famosa mancha negra central). Está definido o nível que a surriba atingiu. Daqui para baixo está preservado. Mas já se percebe a orientação (que coincide com a geofísica) e a diferença de sedimentos entre interior e exterior. A esta estrutura estão associados todos os materiais campaniformes até agora recolhidos. Segundo a geofísica, terá cerca de 15 metros de diâmetro. Está descentrada relativamente aos recintos de fossos interiores, mas centrada relativamente aos dois grandes fossos exteriores (um dos quais também forneceu campaniforne). Já na zona Oeste da sondagem, foi definida uma vala (de possível paliçada), cortada por um fosso, de que se definiu ainda apenas a parede Oeste, ao topo da qual encosta uma estrutura "argamassada" (possível forno). Até ao momento os materiais recolhidos nos depósitos associados a estas estruturas apontam para um neolítico final. A ser assim (veremos) tratam-se dos primeiros contextos datáveis deste momento nos Perdigões, indicando que o fosso mais interior terá sido colmatado no final do Neolítico.
(A vermelho fosso possivelmente Neolítico; a amarelo estrutura circular em pedra "campaniforme"). Isto é o que ao fim de duas semanas nos é sugeridos pela escavação. A confirmar-se (e há que ter em conta o risco da "reportagem quase em directo"), será um avanço significativo no conhecimento da temporalidade e estruturação do sítio, com importância relevante para o discurso interpretativo.
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Jul 29, 2009
A escavação vai continuando. Depois de definidas as valas de surriba, foi já possível identificar o limite Oeste de um fosso, o qual corta (ou é cortado - situação ainda não definida) uma vala de possível paliçada). Ao fundo, o amontoado de pedras e terras negras ainda muito revolvidas pela surriba. Mas é de lá que têm vindo todos (vários) fragmentos de campaniforme inciso. Entretanto, o material continua a ser imenso. Já ultrapassámos os 15000 fragmentos cerâmicos (em apenas 56 metros quadrados). Um objecto, contudo, é de especial referência: O empate do Sporting para a Liga dos Campeões fica amenizado pela evidência arqueológica (recolhida na zona em que têm saído campaniformes) de que o clube é, indubitavelmente, o mais antigo de Portugal. E para que não fiquem dúvidas sobre a fiabilidade do registo, diga-se que o mesmo foi encontrado por um benfiquista ferrenho. PS - A equipa de Málaga já iniciou a sua intervenção na porta NE.
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Jul 27, 2009
O fim de semana foi de visitas arqueológicas. Sábado recebemos um grupo dos Amigos do Museu Nacional de Arqueologia, que visitou a exposição da Torre do Esporão e a escavação a decorrer nos Perdigões. Pela tarde rumámos a Brinches (Serpa) onde visitámos as escavações que a ERA está a realizar para a Edia (no âmbito da rede de rega) nos sítios do Outeiro Alto e Cortes. (Outeiro Alto: um sítio de fossas com dois pequenos hipogeus do Neolítico Final) No Domingo visitámos a escavação do povoado de S. Pedro, no Redondo, que amavelmente nos foi explicada por Rui Mataloto (que a dirige). Um sítio e um território vizinhos dos Perdigões e seguramente importantes para a compreensão da ocupação do Vale do Álamo. A equipa de S. Pedro tem visitado com regularidade as escavações nos Perdigões. Agora foi a nossa vez de retribuir e bem valeu a pena. O dia terminou nos Almendres e na Anta Grande do Zambujeiro. Esta última numa situação deplorável. Um dos maiores monumentos megalíticos peninsulares está literalmente a fracturar-se em bocados. A incapacidade (entre outros "ins") dos poderes públicos responsáveis tem aqui o seu monumento evocativo, a escassos quilómetros de uma cidade Património Mundial. Faltam os adjectivos para qualificar os responsáveis (que como se sabe em Portugal são sempre incógnitos) por esta situação deprimente. Regressados ao trabalho hoje de manhã, a principal tarefa foi alargar a sondagem para a área total prevista. Esse alargamento foi feito com recurso a meios mecânicos, uma vez que a intervenção manual realizada na semana passada delimitou bem a cota de afectação da surriba que revolveu o topo da estratigrafia em todo o sítio. Pudemos, assim, retirar com segurança uma camada de cerca de 60/70 cm, seguindo o resto à mão, até ao topo dos contextos preservados. Enquanto esta operação decorria, na outra metade defeniam-se e desenhavam-se valas de surriba.
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Jul 23, 2009
Hoje, o campaniforme fez o seu aparecimento. 
Trata-se do inciso (com preenchimento a pasta branca) tipo Ciempozuelos.
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Jul 22, 2009
A definição das valas de surriba está a revelar o forte impacto que a mesma teve sobre estruturas em pedra. A concentração de grandes pedras a uma cota 70 cm abaixo da superfície revela, inequivocamente, que ali existiam estruturas em positivo, isto é, acima do substrato geológico e das estruturas negativas que sabemos existirem (através da geofísica). A potência parece ser grande, pelo que temos a esperança de que a base destas estruturas não tenha sido afectada. Entretanto, a quantidade de materiais é alucinante. Todos os dias, ao final de cada turno, o "pessoal" vai separando por categorias os materias provenientes dos depósitos revolvidos. A quantidade, contudo, ameaça ser um problema logístico. Isto é apenas de dois dias: 
Entretanto mais um ídolo cilíndrico, desta vez de mármore. Do mesmo local do anterior. E do mesmo local de onde foi recolhido o que parece ser um dente humano muito erodido.
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