0189 - Era uma vez o património 30
Posted by: valera in Untagged on
Dez 23, 2009
Novidades do Alqueva


A ERA tem desenvolvido, desde 1998, um intenso trabalho para a EDIA. Inicialmente, incidindo sobre contextos e problemáticas relacionadas com a área a afectar pela albufeira da Barragem do Alqueva; mais tarde, no âmbito do processo de minimização de impactes sobre o património nas áreas de implantação do vasto sistema de rega e de barragem subsidiárias do Grande Lago. É neste ponto que estamos actualmente envolvidos, decorrendo hoje perto de uma dezena de escavações arqueológicas.
Os grandes avanços ocorridos nestas intervenções têm relação directa com a Pré-história recente, nomeadamente com os fenómenos da morte, sendo hoje evidente que no Baixo Alentejo floresceram sociedades que privilegiavam a deposição dos seus mortos em estruturas subterrâneas.
Nestas regiões o megalitismo é residual e os tholos, monumentos com câmara em falsa cúpula (ou outras soluções de cobertura ainda pouco claras), parecem mais filiados nas estruturas escavadas do que nas soluções arquitectónicas do megalitismo. Se morfologicamente são evidentes especificidades nas sepulturas que têm vindo a ser intervencionadas, no que respeita aos fenómenos culturais que lhes estão inerentes, quase tudo nos continua a escapar.
A ERA tem uma enorme responsabilidade pela frente, devendo ser dados passos seguros para uma Arqueologia verdadeiramente consequente já que, em Portugal, a Arqueologia que decorre deste tipo de processos tende a não ser mais do que um acumular de registos de escavação, muito truncados pelas limitações inerentes às perspectivas que lhes estão a montante.
Esta grande oportunidade de ocorrerem avanços significativos em processos de conhecimento pode e deve ser inserida numa perspectiva de afirmação de uma jovem geração de arqueólogos. Para estes, o desafio é claro: maturação como Arqueólogos e não como meros técnicos de Arqueologia.

Miguel Lago, Dezembro de 2009

