0043 - P'ra baixo

Posted by: valera in Untagged  on Print PDF

  Abriu um concurso para a reabilitação desta igreja. A autarquia, no seu convite a propostas, escreve no ponto 2. "Critério de Adjudicação: Unicamente o do mais baixo preço".

Está tudo dito. Não interessa a qualidade da equipa, a qualidade da proposta técnica, etc., etc. etc. Não esquecer que estamos a falar de uma entidade pública.

Esta é uma situação na área da conservação e restauro, mas muitas aparecem na área de arqueologia com os memos (mesmo) critérios de selecção. Não será , pois, de estranhar que quem presta serviços tenha que baixar preços e custos para poder trabalhar. E nesse contexto, não será igualmente de estranhar que cada vez mais estas empresas, na contratação dos seus colaboradores, apliquem os mesmos critérios. Mas que se diria se uma empresa colocasse um anúncio para a contratação de um arqueólogo, acrescentando que o critério de selecção era unicamente o preço mais baixo?

Manifestações como estas ...

  

 

 

 

 

 

 

 

... serão justificadas. Mas há que compreender bem todo o contexto, para reconhecer correctamente as causas e os efeitos, condição para a aplicação de qualquer terapia. Relembro, uma vez mais, Bachelard: não existe o simples, só o simplificado.

Comentarios (6)Add Comment
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escrito por Um Arqueólogo, Novembro 21, 2007
Concordo
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escrito por JL, Novembro 20, 2007
Seria primeiro necessário definir os critérios dessa qualidade. E quem o devia fazer parece não estar muito interessado. E depois então o controle da execução desses mesmos critérios. Claro que haveria quem, como sempre, contestasse essas normas, mas pelo menos todos partiam de uma base mais ou menos comum.
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escrito por Um Arqueólogo, Novembro 19, 2007
Citando:
"...confundem mediocridade com qualidade ( muito frequente entre os que reclamam pela qualidade da arqueologia);"

Penso que se existisse qualidade no existiria mediocridade, pois a princpio um controle da qualidade eliminaria a mediocridade.
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escrito por António Valera, Novembro 15, 2007
Que algumas empresas não possuem qualidade para oferecer é óbvio. Mas têm para oferecer o que para muitos serve: a falta de qualidade (omo aliás acontece com outro tipo de instituições).Ou porque não sabem o que fazem e confundem mediocridade com qualidade (é muito frequente entre os que reclamam pela qualidade da arqueologia); ou porque sabem bem o que fazem e respondem conscientemente à "não procura".
De facto, a "qualidade" é algo de difícil concenso e, sobretudo, de muitas graduações e permanente redefinição e disputa. Mas quando se procura EXCLUSIVAMENTE o mais baixo preço creio que é concensual que não se procura qualidade. "Oferecer qualidade a preços competitivos" torna-se, então, em mera retórica e a questão resvala, muito justamente, para o plano da ética profissional e da responsabilidade de cada um.
Cada "UM" e não exclusivamente de cada empresa ou instituição.
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escrito por Um Arqueólogo, Novembro 15, 2007
Necessário será as empresas terem um pouco mais de visão e continuar oferecendo qualidade com preços competitivos. O problema principal é que algumas empresas não possuem qualidade para oferecer e isto é que deveria ser o ponto principal a ser abordado.
Numa empresa sem qualidade, é óbvio que o trabalho será mais barato do que numa empresa com qualidade.
Se existisse o mínimo de ética dentro da comunidade arqueológica, nada disto aconteceria. Se existisse o mínimo de respeito pelo trabalho do arqueólogo também nada disto aconteceria.
Pelo menos fora de Portugal já existem protestos na rua... para quando será aqui?

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escrito por JL, Novembro 13, 2007
Cada vez mais parece haver uma minorização que o Executivo dá à Cultura Portuguesa. Veja-se os episódios caricatos que se passam no Museu de Arte Antiga e Arqueologia que este fim de semana ficaram com menos vigilantes, podendo por em risco o encerramento de salas em certas horas de visitas. Estou certo que agora que esta notícia saiu nos jornais e televisões, o problema irá ser resolvido. Mais preocupante é o que Luís Raposo afirma acontecer no Museu que dirige (com os cortes orçamentais na cultura) onde se assiste a uma: «lógica de precarização absoluta que se aplica também aos outros sectores - a conservação das colecções, os serviços educativos - em que há quase uma impossibilidade de se trabalhar». Mais tarde remata, com a desespero de não se saber o dia de amanhã no museu (casa que recebe os visitantes por ano que sabemos), « É impossível gerir uma casa sem saber o que acontece amanhã».in Publico[i] 13 de Novembro de 2007 - http://ultimahora.publico.clix...id=1310483

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