0044 - Taxistas

Posted by: valera in Untagged  on Print PDF

 

As modernas tendências do restauro e da conservação dizem-nos, de forma quase axiomática, que as suas intervenções devem ser sempre reversíveis. Este axioma é uma das expressões do nosso modo actual de lidar com a contingência, com a mudança, e que nos leva à defesa do provisório, ou melhor, ao fim das tentativas de lhe resistir.

Confesso contudo que, embora perceba perfeitamente o sentido deste princípio e, de certa forma, o perfilhe, não deixo de sentir que é uma espécie de casamento já a pensar no divórcio e, sobretudo, um receio de assumir "a nossa marca", a "nossa visão". Caso o futuro não goste ou saiba melhor, sempre nos pode remover da história de um edifício ou de outra coisa qualquer, voltando ao que era antes de nós.

Repito que percebo e que é difícil discordar simplesmente, mas confesso que também fico incomodado. Naturalmente que poderão argumentar que a nossa marca é precisamente essa, a de nos assumirmos como parêntesis, procurando colocar no futuro o que recebemos do passado, interferindo o menos possível. A de nos transformarmos numa espécie de taxistas (dos silenciosos, claro) para património, numa fixação quase doentia no futuro. Mas esta anulação do presente é necessariamente ilusória e essa ilusão leva que, na ânsia de tudo preservar para o futuro, nem sempre se pense o que se está a fazer, com claros reflexos no... futuro.

Comentarios (1)Add Comment
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escrito por Luis Faria, Novembro 13, 2007
Infelizmente o axioma da DGEMN era outro, com consequncias irreversveis em monumentos que eram documentos vivos para a construo da nossa identidade cultural, quanto nossa marca...est em todo lado.

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