0114 - Era uma vez o património - 7

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 Pelo Buraco da fechadura

 

Por vezes sente-se que a realidade nos escapa. Ou por falta de formação, ou por falta de informação, ou mesmo por falta de visão. O real é complexo e difícil de conhecer.

Depois de consultados os horários do Circuito das Antas de Elvas, que consta do site do IPPAR (estranho, porque a instituição já não existe), decidi arriscar uma visita ao Castelo daquela cidade. Ali, supostamente, seria possível comprar bilhetes para a visita, tomar um café e visitar o castelo.

No entanto, confirmou-se a minha suspeita. Porta fechada, num Domingo de manhã. O facto não me perturbou; antes de mais, já esperava; para além disso, conheço bem as Antas. O que mais me interessava era saber como estava o Projecto.

Portugal é mesmo assim. Nada de explicações, nenhum horário afixado nas portas, nenhum símbolo institucional, nada. Por ser Domingo, eram vários os visitantes que ali chegavam. Olhavam, circulavam em torno das muralhas e seguiam sem protestos.

Foi então que dei por mim a espreitar pelo buraco da fechadura. Entre puro voyeurismo e a esperança de compreender o que se passava, insisti na espreitadela. Foi então que vi, ao fundo, um jeep do IPPAR e das Antas de Elvas. Senti que algo não fazia sentido.

Mais tarde, através do Turismo de Elvas, vim a saber que o Circuito das Antas está desactivado e que o próprio Castelo, a cargo não sabiam de que instituição, estava fechado.

É extraordinário que uma instituição extinta seja a cara de um projecto que já ninguém sabe se existe. É sintomático de políticas de Património assentes no muito curto prazo, o mesmo sucedendo aos investimentos (ou despesas) realizados. Lamentável.

Quanto às antas, dispersas pela paisagem, que a natureza trate delas.

Miguel Lago, Setembro de 2008

Comentarios (1)Add Comment
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escrito por Sérgio Antunes, Outubro 30, 2008
Sim, lamentavelmente, no nosso país é a natureza que trata do nosso património. Salvem-se os "magalhães", o "património" onde o "nosso" governo gasta os "nossos" impostos. E já agora, em jeito de conclusão, numa sociedade moderna não será a informação também um modo de investimento?

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