0135 - Sem Título

Posted by: valera in Untagged  on Print PDF

  Entre 1849 e 1851, e antes de se tornar um dos principais autores do realismo francês, Gustave Flaubert enceta uma viagem de mais de dois anos pelo Próximo Oriente e Mediterrâneo.

 Tem trinta anos e busca inspiração para a sua escrita. A viagem começa no Egipto e parte na companhia de Maxime du Camp, um fotógrafo, escritor e companheiro de boémia.

O diário de viagem que nos deixou Flaubert mostra um homem algo desencantado. É seco e breve nas suas descrições dos monumentos e ruínas que hoje são algumas das maiores atracções turísticas mundiais. À excepção dos monumentos do planalto de Giza tudo o resto lhe parece monótono. 

 

Interessam-lhe mais as pessoas, os pequenos pormenores do quotidiano e sempre o Nilo,  a "coluna vertebral" da paisagem egípcia. As passagens mais longas falam-nos das visita dos dois amigos  a "salões" de entretenimento com direito a dançarinas exóticas. 

 

Maxime du Camp viaja com a intenção de fotografar o máximo que puder. Carrega uma enorme quantidade de equipamento fotográfico e ocupa horas infindáveis no registo de templos, necrópoles e estátuas. Flaubert desespera e considera a actividade um tédio absoluto.

 

As fotografias de Maxime du Camp sobreviveram até hoje e dão-nos um dos mais antigos registos fotográficos do Egipto Faraónico. A primeira barragem de Assuão ainda não tinha sido construída, o Nilo inundava os campos sazonalmente. As mais famosas ruínas egípcias estão em grande parte soterradas ou habitadas. Ainda não há arqueólogos a trabalhar. Não há templos restaurados nem transladados.

 

Uma espécie de património à espera de renascer.

Lucy Shaw Evangelista (Março de 2009)

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