0135 - Sem Título
Posted by: valera in Untagged on
Mar 09, 2009
Tem trinta anos e busca inspiração para a sua escrita. A viagem começa no Egipto e parte na companhia de Maxime du Camp, um fotógrafo, escritor e companheiro de boémia.
O diário de viagem que nos deixou Flaubert mostra um homem algo desencantado. É seco e breve nas suas descrições dos monumentos e ruínas que hoje são algumas das maiores atracções turísticas mundiais. À excepção dos monumentos do planalto de Giza tudo o resto lhe parece monótono.
Interessam-lhe mais as pessoas, os pequenos pormenores do quotidiano e sempre o Nilo, a "coluna vertebral" da paisagem egípcia. As passagens mais longas falam-nos das visita dos dois amigos a "salões" de entretenimento com direito a dançarinas exóticas.
Maxime du Camp viaja com a intenção de fotografar o máximo que puder. Carrega uma enorme quantidade de equipamento fotográfico e ocupa horas infindáveis no registo de templos, necrópoles e estátuas. Flaubert desespera e considera a actividade um tédio absoluto.
As fotografias de Maxime du Camp sobreviveram até hoje e dão-nos um dos mais antigos registos fotográficos do Egipto Faraónico. A primeira barragem de Assuão ainda não tinha sido construída, o Nilo inundava os campos sazonalmente. As mais famosas ruínas egípcias estão em grande parte soterradas ou habitadas. Ainda não há arqueólogos a trabalhar. Não há templos restaurados nem transladados.
Uma espécie de património à espera de renascer.
Lucy Shaw Evangelista (Março de 2009)


