0145 - QUINTA DA ALAGOA – MOSTEIRO JESUÍTA - CARCAVELOS

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As histórias que as paredes nos contam

No âmbito do projecto de reabilitação da Quinta da Alagoa (Carcavelos) que se está  a ser desenvolvido pela CM de Cascais, a Era procedeu ao levantamento ortofotográfico de uma série de paredes assim como se encontra a realizar a leitura estratigráfica das mesmas. Com este trabalho pretende-se alargar o conhecimento existente sobre este espaço e sobre as suas diversas utilizações, desde mosteiro jesuíta até quinta de produção do famoso vinho de Carcavelos.

  

 Vistas do alçado A em 1995 (http://www.webspawner.com/users/alagoa/) e em 2009, após a realização da picagem das paredes e contenção da fachada

Assim que a picagem das paredes ficou concluída foi possível avançar nos trabalhos de registo e verificar que por baixo do estuque e das tintas se escondiam "outras verdades".

 

Janelas, portas, nichos, armários e fornos são algumas das realidades que se encontravam sob o estuque e que contam outras histórias sobre diferentes espaços (fotos Mário Lisboa).

A presente intervenção de arqueologia vertical, através da picagem de paredes no interior e exterior dos diferentes corpos do edifício tem permitido esclarecer algumas questões relacionadas com a evolução da organização espacial do conjunto edificado. Neste sentido, já foi possível identificar diferentes técnicas de construção utilizadas na edificação e nas diversas reestruturações observadas, nomeadamente, alvenaria de pedra (século XVI), alvenaria de tijolo burro (séculos XIX/XX) e alvenaria de tijolo furado (século XX).

O presente trabalho também permitiu confirmar a existência até ao momento de, pelo menos, duas fases distintas de construção: uma associada à casa jesuíta (séc. XVII) e outra à Quinta da Alagoa (sécs. XVIII-XIX). Nesta segunda fase terão sido construídos anexos e o corpo inicial do mosteiro terá sido transformado e aumentado para funcionar como casa de habitação.

 

Planta actual do edifício  (cedida CM Cascais)   e uma proposta (à direita) da planta original do convento  (ainda em desenvolvimento).

Inês Mendes da Silva

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