0145 - QUINTA DA ALAGOA – MOSTEIRO JESUÍTA - CARCAVELOS
Posted by: valera in Untagged on
Abr 26, 2009
As histórias que as paredes nos contam
No âmbito do projecto de reabilitação da Quinta da Alagoa (Carcavelos) que se está a ser desenvolvido pela CM de Cascais, a Era procedeu ao levantamento ortofotográfico de uma série de paredes assim como se encontra a realizar a leitura estratigráfica das mesmas. Com este trabalho pretende-se alargar o conhecimento existente sobre este espaço e sobre as suas diversas utilizações, desde mosteiro jesuíta até quinta de produção do famoso vinho de Carcavelos.
Vistas do alçado A em 1995 (http://www.webspawner.com/users/alagoa/) e em 2009, após a realização da picagem das paredes e contenção da fachada
Assim que a picagem das paredes ficou concluída foi possível avançar nos trabalhos de registo e verificar que por baixo do estuque e das tintas se escondiam "outras verdades".
Janelas, portas, nichos, armários e fornos são algumas das realidades que se encontravam sob o estuque e que contam outras histórias sobre diferentes espaços (fotos Mário Lisboa).
A presente intervenção de arqueologia vertical, através da picagem de paredes no interior e exterior dos diferentes corpos do edifício tem permitido esclarecer algumas questões relacionadas com a evolução da organização espacial do conjunto edificado. Neste sentido, já foi possível identificar diferentes técnicas de construção utilizadas na edificação e nas diversas reestruturações observadas, nomeadamente, alvenaria de pedra (século XVI), alvenaria de tijolo burro (séculos XIX/XX) e alvenaria de tijolo furado (século XX).
O presente trabalho também permitiu confirmar a existência até ao momento de, pelo menos, duas fases distintas de construção: uma associada à casa jesuíta (séc. XVII) e outra à Quinta da Alagoa (sécs. XVIII-XIX). Nesta segunda fase terão sido construídos anexos e o corpo inicial do mosteiro terá sido transformado e aumentado para funcionar como casa de habitação.
Planta actual do edifício (cedida CM Cascais) e uma proposta (à direita) da planta original do convento (ainda em desenvolvimento).
Inês Mendes da Silva


