0148 - Diálogo

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Na última 5ª feira foi realizada uma visita de estudo às escavações em curso no Palácio dos Lumiares (Bairro Alto, Lisboa) por alunos do curso de Arqueologia da Faculdade de Letras de Lisboa (turma da Professora Mariana Diniz).

Este tipo de articulação entre a Universidade e a prática arqueológica em contexto profissional é essencial a vários títulos. Não vou repetir aqui os argumentos a favor. Eles estão expostos em vários textos publicados no volume 7 da revista Era Arqueologia, editados na sequência do debate sobre a necessidade de aprofundamento das relações entre Universidades e Arqueologia Empresarial realizado num dos colóquios da ERA.

Contudo, apesar da evidência do interesse desta relação, estas são situações ainda raras e casuísticas. E podemos dizer que ao fim de 12 anos, esta realidade marca mais um dos falhanços da arqueologia portuguesa (re)nascida com a criação do IPA, apesar dos esforços de alguns e de algumas concretizações de sucesso.

Resta, àqueles que reconhecem a importância dessa relação e que estão disponíveis para trabalhar no sentido de a aprofundar, continuar e insistir. Neste país nada é fácil no que toca a colaborações inter institucionais adultas, eficazes e desempoeiradas, mesmo quando fazem todo o sentido. Mas água mole em pedra dura...

Comentarios (6)Add Comment
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escrito por Luis Faria, Maio 04, 2009
O centro interpretativo de Newgrange e de Knowth é o mesmo, porque são o mesmo tipo de monumento, porque estão perto (no espaço e no tempo),o ponto da questão é que são bem conhecidos (dentro e fora da Irlanda) e pelo nome do primeiro: Newgrange.
Não ponha palavras nas minhas frases, não há conhecimento superior. Agora há que aprender porque ninguém nasce ensinado, não se pode comandar uma equipa quando não se conhecem (na prática) os métodos para resolver os problemas, perde-se tempo, dinheiro e património.
Os meus olhos passaram, as costas, os calos.....
Só aprendemos a discutir mas sempre a construir.
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escrito por António Valera, Maio 04, 2009
Newgrange é um outro conjunto de monumentos, ainda que perto, ainda que com naturais interacções. Não vamos confundir Foz Côa com Siega Verde. Além disso, o conhecimento de Foz Côa entre os arqueólogos de todo o mundo que trabalham na Irlanda não se mede e avalia pelas visitas aos núcleos do parque abertos ao público. Creio que estaremos de acordo nesse aspecto.
Quanto ao resto apenas digo que, pelo que tem escrito, é natural que considere que o saber de experiência feito é "superior". Nesse sentido, e para manter a coerência, teremos que esperar que esses olhos estrangeiros passem primeiro pela experiência portuguesa.
Por outro lado, como certamente saberá, não partilhamos as mesmas ideias sobre ciência, Teoria(s) do Conhecimento(s) e formas como estas se expressam na disciplina, ou sobre como esta se organiza administrativa e socialmente. Pelo que é natural que não cheguemos a acordo. E daí não vem mal ao mundo.
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escrito por Luis Faria, Maio 04, 2009
Pelas visitas que Foz Côa tem nota-se que tem sido divulgado. Apesar de Knowth ser muito mais interessante, o nome pelo qual o conjunto é conhecido (e bem conhecido) é Newgrange.
Quanto à Arqueologia da Irlanda é outra conversa.......uma nota: ninguém dirige uma escavação sem ter sido trolha primeiro.
Uma coisa é perguntar, outra é viver as situações, ver o nossa Arqueologia de fora e pelos olhos dos outros (florestas e subjectividades).
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escrito por António Valera, Maio 04, 2009
Existe colaboração com universidades e vários professores universitários reconhecem o seu valor e praticam-na. Também é verdade que outros não pensam assim e, naturalmente, têm outro tipo de comportamento. Mas é a ausência de uma política, de uma orientação estratégica com consequências sistemáticas, que se critica. Quanto ao facto de essas centenas de arqueólogos de todo o mundo não saberem nada sobre Foz Côa, devo dizer que não abona muito em favor deles, pois se há coisa que tem sido divulgada e discutida internacionalmente na Arqueologia portuguesa é Foz Côa. Afinal de contas, quantos por cá e por outras paragens conhecerão Knowth ou Gosek? Será porque a Arqueologia irlandesa e alemã não os divulgam?
Não me parece.
E já agora, quando estive no WAC que decorreu em Dublin, tive a preocupação de perguntar sobre o nível de interacção entre a Universidade e as empresas de arqueologia e o que me foi transmitido não foi uma imagem particularmente diferente.
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escrito por Luis Faria, Maio 04, 2009
As universidades estão mais preocupadas com os problemas internos (os dos professores claro).
Não existe interacção entre as universidades portuguesas (ignoram-se).
Sociedade? (aqueles que lhes pagam o ordenado), retorno?, afirmação da Arqueologia?, empresas? (primeira fonte de emprego, 365 dias por ano de chuva e sol, hipogeus no interior alentejano, paleosolos do paleolítico, homens santos islâmicos,...)
O que interessa é Bolonha, o artigo repetido, a conferência para os gatos pingados do costume.
Aqui na Irlanda trabalho com centenas de arqueólogso de todo o mundo , ninguém sabe o que é Foz Côa.
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escrito por Miguel Lago, Maio 03, 2009
Confesso que sempre me espantou a falta de motivação das instituições universitárias pelo estabelecimento de diálogo e de parcerias com empresas de arqueologia. A sua vocação é clara: ensino e investigação. Ambos os aspectos desembocam no quotidiano das empresas: condicionamento dos profissionais que entram ou já estão no mercado de trabalho e concretização de projectos incidindo sobre fontes arqueológicas inéditas. Estas, em muitos casos, extraordinariamente importantes. Por isso, não compreendo. Por isso, considero que estamos perante uma infeliz desresponsabilização e um imperdoável alheamento do real. Apesar de tudo, as pontes vão-se fazendo...mas os anos passam e os resultados insuficientes estão à vista de todos.

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