0154 - Património assim… era uma vez!

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Castelo de Alegrete, à espera da derrocada final

Diariamente chegam ao nosso conhecimento notícias de atentados sobre o Património. Se algumas vezes se sabe quem os cometeu e outras nem por isso, o que nunca parece claro é se os casos foram denunciados às autoridades e, se o foram, qual foi o desenvolvimento que essas denúncias tiveram. Mesmo nos casos de "flagrante delito" nada parece acontecer aos infractores. Em muitos sítios arqueológicos, não fora a acção de vigilância desenvolvida pelos habitantes das proximidades, e a destruição poderia ser muito mais grave.

Poder-se-á alegar que as autarquias poderiam fazer muito mais na protecção do património existente nas suas zonas mas também sabemos que esse é um papel que não lhes pode ser confiado por inteiro, sob pena de, a curto prazo, a falta de cuidado ou a estranha incompatibilidade que parece haver nas cabeças dos nossos Presidentes de Câmara entre Património e "Desenvolvimento" fazerem mais estragos irremediáveis no primeiro, notoriamente o lado mais fraco deste "conflito". A propósito, a destruição pela não conservação de Património já classificado não é considerada crime? E, se não é, não deveria ser?

Enquanto não se virem verdadeiras condenações de infractores sobre o Património (de qualquer origem, privada ou pública, incluindo os próprios arqueólogos e as empresas de Arqueologia), os sítios vão continuar a ser destruídos.

Sonham os arqueólogos que, um dia, as pessoas passem a encarar a protecção do Património como já vão começando a fazer em relação ao ambiente. Não me parece que seja um objectivo facilmente alcançável. A não ser que alguém nos convença a todos que a destruição de um monumento megalítico pode provocar doenças incuráveis ou que arrasar um complexo de termas romanas terá como consequência Verões com temperaturas acima dos cinquenta graus.

Miguel Duarte de Almeida


Comentários (6)Add Comment
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escrito por Manuel de Castro Nunes, Junho 30, 2009
Peço-lhe desculpa, mas cuida-se mais do património ambiental do que do cultural e arqueológico? Caso Freeport? O Presidente da Liga para a Protecção da Natureza foi constituído arguido.
As empresas de arqueologia cometem atentados contra o património? Bem, pensava que os arqueólogos, antes de todos os outros, eram quem curava do património arqueológico? Afinal, a quem cabe proteger o património arqueológico? à polícia? Não há que cheguem para proteger as caixas multibanco. Não entendo.
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escrito por Luis Faria, Maio 23, 2009
Outra proposta: sociedades (locais ou não) arqueológicas de defesa e divulgação do património, com quotas, campanhas de recolha de fundos, palestras, visitas,... Podemos então investir nos monumentos e partilhar os resultados do nosso trabalho com o resto da comunidade (como por exemplo a ARQA faz muito bem). É preciso pedir dinheiro, às pessoas, às empresas,.. divulgar e juntar, a palavra chave é - dinheiro, sem investimento os castelos vão continuar a cair.
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escrito por Luis Faria, Maio 22, 2009
A comunidade somos nós, se alguém tem a responsabilidade de encontrar soluções somos nós.
Uma proposta: divulgar os trabalhos arqueológicos, e a Arqueologia, numa linguagem que seja entendida por todos?
Na net, nos jornais (do metro por exemplo), na TV (uma série de documentários sobre as escavações da ERA),..............
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escrito por Luís Pinto, Maio 21, 2009
Entendo o que queres questionar. Mas quando dizes os "problemas que todos conhecemos" é que discordo. Com todos, referes-te à Comunidade arqueológica, ou Comunidade em sentido mais amplo, da população Portuguesa?
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escrito por Luis Faria, Maio 21, 2009
Então quais são as solução para os problemas que todos conhecemos?
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escrito por Luís Pinto, Maio 20, 2009
A propalada destruição de sítios arqueológicos e algumas vezes o descuido a que os monumentos em vias de classificação são votados, derivada de uma série de problemas nacionais que se têm vindo a agravar, tendo uma contribuição activa dos escassos recursos económicos.
Para um inventário de novos achados, com um crescimento espectacular, deveria corresponder na mesma proporção, uma fiscalização adequada. E quando não se fiscaliza, permite-se. Seria relevante ter conhecimento desde a criação do antigo IPA, quantos sítios foram acrescentados à base de dados para se ter a noção da dimensão. Alguém pensa quantos mais sítios, daqui a dez anos serão somados aos actualmente conhecidos? Quem fará a gestão de tais recursos?
Esta monitorização poderia ser levada a cabo por diversos intervenientes. Começando pela população local, há que distinguir dois mundos. O litoral e o interior. É certo que localidades interiores, pela velocidade que a informação hoje se expande, minoraram certos constrangimentos que não conseguiam ultrapassar há vinte anos. Mas há um que a marcha anual, repetidamente mostra, a falta de gente. No interior, o despovoamento agrava-se deixando muitos quilómetros quadrados completamente entregues a si. Neste espaço, também com singularidades de acesso distintas, existe pouco ou em alguns casos dramática, inexistente circulação de pessoas. E entidades estatais, como autarquias, organismos de forças de segurança, instituto de conservação da natureza, do património, lutam contra o garrote orçamental. No meio citadino, o património luta contra a ameaça do betão e pela indiferença de uma grande massa populacional que vive, não sendo raro, a escassos metros de imóveis que deveriam poder ter a oportunidade de continuar a existir em condições de valorizarem os espaços em que estão inseridos.

Até os sítios que são menos visíveis, pela população em geral, conhecem a cobiça de salteadores modernos, como sucedeu como o povoado fortificado da Idade do Bronze, Coroa do Frade (Valverde), que foi esventrado na tentativa de levar ao mercado negro, peças singulares desta etapa da metalurgia. As queixas quando são recepcionadas por alguém, não produzem, salvo raras excepções, condenações dissuasórias. Importaria também saber se a Polícia de Investigação possui, além das muitas solicitações que tem doutros palcos criminais, capacidade para agir.

Por vezes a força individual tem tido alguns resultados, mas acções pontuais aqui e ali não revolvem as inúmeras incúrias e o desleixo que um programa bem articulado, a haver vontade, poderia minorar. A indiferença naquilo que produzimos como espécie, é também uma indiferença em nós mesmos.


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