0181 - Perdigões em Itália
Posted by: valera in Untagged on
Set 19, 2009
Duas comunicações (uma oral e outra em poster) sobre a investigação nos Perdigões foram apresentadas nos últimos dias no congresso anual da European Association of Archaeologists, a decorrer em Riva del Garda (Itália).
Tem sido uma reunião interessante, com sessões de debates inovadores e problematizantes. O contraste com as reuniões que decorrem em Portugal é gritante, pelo nível das apresentações, sempre problematizantes, sempre à procura de um ângulo diferente de abordagem. Praticamente não há apresentações meramente descritivas, como acontece noutros grandes congressos internacionais como o WAC.
Mas igualmente interessante é que um número significativo de organizações de sessões e de apresentações é realizado por jovens estudantes de doutoramento. Formados numa outra concepção de ensino superior, treinados numa arqueologia problematizante e na apresentaçao pública do seu trabalho, estimulados pelos seus professores a participar activamente (organizando sessões e apresentado comunicações) nestes congressos, tendo ao seu dispor mecanismos de apoio financeiro para o fazerem, são cada vez mais uma força dinamizadora destas reuniões.
Aqui ganham experiência, conhecimento e conhecimentos. Integram-se numa comunidade internacional onde os horizontes são outros. E crescem intelectualmente.
Seria urgente que os estudantes portugueses começassem com regularidade a entrar nestes circuitos. Os dos países de Leste surgem por todos os lados (e não só os que estão ligados a universidades inglesas ou americanas).
Mas para isso muita coisa teria que mudar na universidade portuguesa. E a nossa arqueologia lá vai ficando mais periférica. E são estudantes estrangeiros que vem estudar determinadas problemáticas da Pré-história portuguesa, mas sem evidente contacto e comunicação com os arqueólogos portugueses (como foi evidente numa ou duas comunicações, em que desconhecimentos gritantes revelam essa passagem exclusiva por alguma, pouca, bibliografia) e sem o proveito que poderíamos retirar desses contactos.
Também, no que aos profissionais da arqueologia comercial respeita, se nota a mesma ausência portuguesa, mas onde sessões dedicatas às temáticas que envolvem o meio foram bem concorridas por profissionais de vários países.
É urgente mudar esta situação. De facto, se for para continuar a olhar só para dentro, o TGV não faz muito sentido.



Esta perspectiva que se vive no Brasil, de uma Arqueologia verdadeiramente ao serviço da sociedade é muito estimulante.