0181 - Perdigões em Itália

Posted by: valera in Untagged  on Print PDF

Duas comunicações (uma oral e outra em poster) sobre a investigação nos Perdigões foram apresentadas nos últimos dias no congresso anual da European Association of Archaeologists, a decorrer em Riva del Garda (Itália).

Tem sido uma reunião interessante, com sessões de debates inovadores e problematizantes. O contraste com as reuniões que decorrem em Portugal é gritante, pelo nível das apresentações, sempre problematizantes, sempre à procura de um ângulo diferente de abordagem. Praticamente não há apresentações meramente descritivas, como acontece noutros grandes congressos internacionais como o WAC.

Mas igualmente interessante é que um número significativo de organizações de sessões e de apresentações é realizado por jovens estudantes de doutoramento. Formados numa outra concepção de ensino superior, treinados numa arqueologia problematizante e na apresentaçao pública do seu trabalho, estimulados pelos seus professores a participar activamente (organizando sessões e apresentado comunicações) nestes congressos, tendo ao seu dispor mecanismos de apoio financeiro para o fazerem, são cada vez mais uma força dinamizadora destas reuniões.

Aqui ganham experiência, conhecimento e conhecimentos. Integram-se numa comunidade internacional onde os horizontes são outros. E crescem intelectualmente.

Seria urgente que os estudantes portugueses começassem com regularidade  a entrar nestes circuitos. Os dos países de Leste surgem por todos os lados (e não só os que estão ligados a universidades inglesas ou americanas).

Mas para isso muita coisa teria que mudar na universidade portuguesa. E a nossa arqueologia lá vai ficando mais periférica. E são estudantes estrangeiros que vem estudar determinadas problemáticas da Pré-história portuguesa, mas sem evidente contacto e comunicação com os arqueólogos portugueses (como foi evidente numa ou duas comunicações, em que desconhecimentos gritantes revelam essa passagem exclusiva por alguma, pouca, bibliografia) e sem o proveito que poderíamos retirar desses contactos.

Também, no que aos profissionais da arqueologia comercial respeita, se nota a mesma ausência portuguesa, mas onde sessões dedicatas às temáticas que envolvem o meio foram bem concorridas por profissionais de vários países.

É urgente mudar esta situação. De facto, se for para continuar a olhar só para dentro, o TGV não faz muito sentido.

Comentarios (1)Add Comment
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escrito por Miguel Lago, Setembro 21, 2009
Mas a ERA faz o seu papel, representando Portugal no estrangeiro! Em Itália e, desde hoje, no XV Congresso da Sociedade de Arqueologia Brasileira, para o qual foi convidada a apresentar o Projecto Perdigões. Para já, fica a certeza de que estamos num país em que a Arqueologia vive momentos florescentes e em que o optimismo parece ser a nota mais marcante. Temos muito a aprender com o contacto com o exterior; mas também temos experiências relevantes para transmitir.
Esta perspectiva que se vive no Brasil, de uma Arqueologia verdadeiramente ao serviço da sociedade é muito estimulante.

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