0196 - Real Associação dos Architectos Civis e Archeólogos Portugueses

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Onde é que nos "perdemos"?....

Remonta a 1872 a denominação Real Associação dos Architectos Civis e Archeólogos Portugueses e à década de 60 do mesmo século o período em que foram discutidas as directrizes orientadoras desta associação. Entre outras de cariz mais "arquitectónico", destacam-se: "(...) memórias descritivas dos principais edifícios públicos; criação de um museu de antiguidades arquitectónicas; (...); prelecções sobre história da arte e dos monumentos; exposições de objectos artísticos e de projectos de arquitectura; representações ao Governo sobre a conservação de monumentos históricos e arqueológicos; concurso às exposições internacional portuense de 1865 e universal de Paris em 1867"...em suma, procuravam-se obter verdadeiras medidas de alcance social.

A determinada altura, no início do século XX (1902), com a crescente consciencialização profissional, surge a Sociedade dos Arquitectos Portugueses, que acompanharia o fim da monarquia e, sobretudo, a primeira república. Esta, por sua vez, transforma-se em sindicato, depois, associação e, finalmente, nos anos 90, é homolgado o projecto associativo que dá origem à Ordem dos Arquitectos...Um caminho longo mas que resulta da crescente afirmação e implantação dos arquitectos na sociedade portuguesa, assim como da nova realidade portuguesa decorrente da integração europeia.

A esta altura, coloca-se a questão: no meio deste processo com um arranque tão vibrante, tão cheio de projectos e tão ligado à sociedade, onde é que ficaram os arqueólogos? Onde é que está a classe que foi responsável pela organização de alguns dos eventos culturais de maior importância realizados em Portugal? Onde estão os elementos cuja opinião contava nas horas de decisão governamental?

Sabemos, é claro, que "os tempos são outros", que a conjuntura se alterou, que as oportunidades não se repetem...mas onde é que tem estado a vontade das pessoas? O prazer de se envolverem de, efectivamente, marcarem uma diferença? Não nos referimos a acções pontuais, sem sentido e que, aos olhos da sociedade, parecem "mais mal do que bem". Falamos de acções integradas, reveladoras de uma clara consciência social e que conduzam à implementação de medidas efectivas, à criação de organismos dinâmicos e adaptados à nova realidade.

Numa fase em que surge a necessidade de renovação do Regulamento de Trabalhos Arqueológicos e onde se observa uma tentativa sincera por parte dos organismos públicos de envolverem todas as partes interessadas em processos decisivos que nos influenciam a todos, porque não "aproveitar a onda" e dirigir esta articulação de interesses para a construção de algo que, efectivamente, nos una e nos confira, novamente, a "força dos outros tempos"?...

Inês Mendes da Silva

Comentarios (3)Add Comment
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escrito por Miguel Lago, Fevereiro 23, 2010
Muitas vezes penso que a Ordem, a existir, dependerá de um grande amadurecimento da profissão. Nesse caso, será que a Ordem é necessária? Estou convencido que com uma associação profissional forte, poderiamos ir muito longe. Tal associação (instrumentalmente poderia ser a APA) deveria ser profissional, integrando a tempo inteiro um grupo restrito de pessoas que tornasse possível uma acção permanente e consequente. Uma associação amadora, já não funciona. Ordem? Porque não tratar da APA?
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escrito por Inês Mendes da Silva, Fevereiro 23, 2010
Refira-me a "perdidos" do ponto de vista do nosso lugar na sociedade. Esse lugar, esse estatuto, independentemente do profissionalismo, do rigor e afins que, espero, funcionem como bitola para a maioria dos arquelogos, foi o que se perdeu. Assim, foi com alguma satisfeio que, quase em resposta a este post, li na Archport um convite para a discusso de uma futura (eventual) Ordem dos Arquelogos, um trabalho a realizar em conjunto pela AAP e pela APA. Espero que seja o incio de uma fase interessante e dinmica da Arqueologia Portuguesa, independentemente dos resultados futuros destas aces... consequentes ou nem por isso.
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escrito por Miguel Lago, Fevereiro 22, 2010
Não creio, com toda a sinceridade, que nos tenhamos perdido; pelo contrário, estamos a trilhar o caminho (uns melhor, outros nem tanto). Muito foi feito ao longo do século XX, sobretudo a partir de 1974. Não devemos esquecer o impacto negativo da ditadura sobre a mentalidade portuguesa. Um dos seus maiores defeitos terá sido o de acentuar uma tendência para a falta de empreendedorismo e pouca motivação para a cidadania.
Que no nosso quotidianos, sejamos profissionais, rigorosos, empenhados e eticamente consistentes. Se assim for, não nos perderemos nunca.

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