0212 - Cruz da Areia
Posted by: valera in Untagged on
Ago 30, 2010
A intervenção arqueológica no sítio Cruz da Areia enquadrou-se numa perspectiva de minimização de impactes numa área com enorme potencial arqueológico. Este sítio já havia sido diagnosticado em trabalhos anteriores, contudo os resultados obtidos não foram suficientemente esclarecedores para questões relacionadas com a cronologia, formação e preservação. A primeira fase destas novas intervenções consistiu na realização de três sondagens manuais de forma a compreender a relação de um nível de termoclastos com artefactos líticos e a sua formação antrópica ou natural e também a confirmação ou não da existência de zonas de combustão relacionadas com a ocupação pré-histórica do sítio.

Vista geral da escavação e da Sondagem 1 (nível de termoclastos)
Na sondagem 1 está presente um momento de ocupação humana relacionado com um nível com milhares de termoclastos e centenas de peças líticas talhadas, cuja funcionalidade não está de todo esclarecida, pois trata-se de uma extensa área, cerca de 1000m2, tendo sido intervencionados apenas 14m2
Já para a zona onde foram implantadas as sondagens 2 e 3, existe um nível preservado (solo antropogénico) onde estão presentes seis estruturas de combustão, estruturas negativas, milhares de peças líticas talhadas e ainda uma placa de xisto com gravações filiformes.

Estruturas de combustão 3 e 1.
A interpretação preliminar deste sítio aponta para a presença humana durante um período da pré-história antiga, provavelmente no paleolítico médio e paleolítico superior final. A localização do sítio, entre os vales do Rio Lena e do Rio Lis, tornam o local numa zona preferencial para o estabelecimento de comunidades de caçadores-recolectores, com acesso a um vasto território pautado por grandes vales e áreas de abastecimento de matéria-prima. Estamos perante realidades arqueológicas preservadas in situ, testemunhada por estruturas de combustão de várias dimensões e com diversas funcionalidades, estruturas negativas, milhares de peças líticas talhadas, bem como vários elementos pétreos que demonstram a mobilidade destes últimos grupos de caçadores-recolectores pelo território envolvente a curta e longa distância (seixos rolados, dioritos, sílex, calcário, xisto).
Industria lítica alongada presente nos contextos arqueológicos.
(Tiago do Pereiro, 20-08-2010)

escrito por Miguel Lago, Outubro 24, 2010
escrito por José Bastos, Outubro 24, 2010
escrito por Miguel Lago, Outubro 11, 2010
escrito por José Bastos, Outubro 09, 2010
escrito por Tiago do Pereiro, Outubro 02, 2010
escrito por Miguel Lago, Setembro 16, 2010
escrito por flor-de -liz, Setembro 14, 2010
No entanto, e se o Dr. me permitir, só gostava de repor a verdade dos factos.
Com efeito, o sítio da Cruz da Areia não foi identificado por qualquer arqueólogo da Era S.A. e muito menos no âmbito do acompanhamento arqueológico das obras actualmente em curso da LOC e acompanhadas por arqueólogos dessa empresa.
O sítio em apreço foi identificado à alguns anos pela arqueóloga Vânia de Carvalho, na altura a realizar acompanhamento em obras promovidas pela SIMLIS para a empresa Ocrimira.
O sítio é referido na carta arqueológica do concelho de Leiria já à alguns anos, muito tempo antes do início destas obras.
Obrigado.
escrito por Miguel Lago, Setembro 01, 2010

