0214 - Era uma vez o Património - 42

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   Património para todos

 

 

 

O Museu da Escrita do Sudoeste abriu em 2007. O Museu do Côa abriu em Julho de 2010. Ambos reflectem estratégias públicas que visam disponibilizar mecanismos de acesso dos cidadãos ao Património.

O Museu da Escrita do Sudoeste, promovido pela Câmara Municipal de Almodôvar, é uma agradável surpresa. Apesar de instalado num edifício com limitações de raiz e desenvolvendo-se em vários pisos, o projecto expositivo cria um ambiente propicio a uma abordagem geral ao tema, simples e sintética, mas consistente, tornando aliciante o percurso percorrido. É um museu didáctico que trata de forma aprofundada um tema praticamente desconhecido para os não arqueólogos. Vale a pena a visita.

Já em 2010, abriu o Museu do Côa. Visitei-o apenas na fase final de instalação; conheço o edifício e fiquei com uma ideia geral do conteúdo expositivo. Em breve farei nova visita, sendo a expectativa muito grande porque o projecto global é extremamente ambicioso. Neste caso, não estamos perante uma mera "mostra" relativa ao tema da arte pré-histórica, dando a Arquitectura resposta a necessidades muito amplas; na sua génese, trata-se de um grande projecto museológico agregado a um centro de investigação e aos serviços de um parque arqueológico, numa perspectiva integradora e de forte impacte social, económico e cultural. Ao que parece, nem tudo corre bem: a título de exemplo, restaurante e bar continuam encerrados. Com o esforço dos funcionários vai-se dando a resposta possível; veremos, com o passar do tempo, se o projecto foi devidamente ponderado e se são criadas as condições para o seu pleno funcionamento, sob pena de ser limitada a rentabilização da exposição, constrangendo-se a visita ao público e permanecendo vazios grande parte dos corredores e das salas destinadas a outros usos não museológicos.

 

 

 

Estes exemplos revelam formas diferentes de encarar a divulgação e a sociabilização do Património arqueológico, resultando ambos de processos empenhados de investigação e do enraizamento de equipas de arqueologia. Idealmente e com outros casos semelhante, podem vir a constituir uma vasta e ideal rede de projectos similares ao serviço de todos os cidadãos. No entanto, para serem globalmente exemplares, não devemos esquecer a sua sustentabilidade futura. De facto, se em Portugal é fácil construir, o mesmo não sucede com a manutenção nem com a divulgação deste tipo de equipamentos culturais. Sob este aspecto, é absolutamente lamentável que o Museu do Côa não tenha disponível um site na Internet; mais um sintoma de que o Projecto nasceu coxo. Em contrapartida, para mais informações sobre o Museu da Escrita do Sudoeste, aqui fica o link: http://www.cmalmodovar.pt/museuescritasudoeste/ 

(exemplar, face à dimensão e enquadramento local do projecto).

Miguel Lago, Setembro de 2010

Comentarios (8)Add Comment
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escrito por Miguel Lago, Setembro 23, 2010
Samuel, obrigado pelas informações. Não pode o site do Museu da Escrita do Sudoeste ser enriquecido com mais informação, nomeadamente com um link pra este site do projecto de investigação?

Quanto ao comentário do António Valera, espero que assim seja: que todos nos centremos mais na responsabilidade e menos no estatuto. O problema é que os estatutos existem e dizem algo sobre a responsabilidade de cada um e o visitante comum continua a aguardar informações on-line sobre o Museu do Côa, os seus conteúdos, serviços, horários,...até quando?? (desculpem, a correcção já que com muito esforço lá encontrei alguma coisa: http://www.igespar.pt/pt/monuments/53/

Bravo, Museu da Escrita do Sudoeste!
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escrito por Samuel Melro, Setembro 22, 2010
Julgo não despropósito dar conta que ao MESA se associou, ou daí nasceu, o Projecto Estela, reflectindo por um lado a obrigatoriedade que o MESA e as pessoas a ele associados assumiram na investigação que lhe deve estar associada, assim como no retorno social dessa investigação.Por essa razão o projecto estela pretende levar o Museu para o Território, não apenas na perspectiva de completar a visita iniciada no museu, mas em estabelecer um elo de ligação desse património com o território e as pessoas onde ele ocorre.
Daí que para além do link da CMA possa também interessar o
projectoestela.blogspot.com e o
http://sites.google.com/site/projectoestela
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escrito por antónio valera, Setembro 20, 2010
Confesso que o conceito de "responsabilidade pública", que parece implicar (na formulação em que é usado) uma desresponsabilidade privada, me incomoda. E acrescentaria, como conselho à iniciativa empresarial e à dos organismos ditos públicos, que se centrassem mais na responsabilidade e menos no estatuto.
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escrito por Miguel Duarte de Almeida, Setembro 17, 2010
Quanto ao Museu do Ca, completamente de acordo.
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escrito por Miguel Lago, Setembro 16, 2010
...bom, não sabemos se foi pago (!). De qulquer forma, no caso do Museu do Côa nem de uma maneira, nem de outra. E, convenhamos, a responsbilidade pública de comunicação a isso obrigava, pelo menos desde a sua inauguração.
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escrito por Miguel Duarte de Almeida, Setembro 16, 2010
Ainda assim, parece-me muito pouco. Qualquer amador faria melhor (e at, talvez, de graa).
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escrito por Miguel Lago, Setembro 16, 2010
"Exemplar, face à dimensão e enquadramento local do projecto". Foi isto que disse no meu post, devidamente enquadrado num contraponto com o recém aberto Museu do Côa. Em minha opinião, é vantajosa uma rede articulando museus de diferentes dimensões e vocações; neste âmbito, o caso de Almodôvar, que é eminentemente uma exposição permanente, parece cumprir a sua função, apesar das limitações de divulgação resultantes (certamente) do contexto local em que se insere.
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escrito por Miguel Duarte de Almeida, Setembro 16, 2010
O link do MESA está errado. O certo é http://www.cm-almodovar.pt/museuescritasudoeste/

De qualquer maneira, eu diria que é um bocado forçado chamar "site na internet" (e, mais ainda, exemplar) a uma única página inserida no site da Câmara, sem mais informação do que um pequeno texto em mau português, traduzido para pior inglês e um mini-vídeo promocional de minuto e meio. Se considerarmos ainda que a informação de horários não coincide a caixa de texto inserida para o efeito e o cartaz que está imediatamente ao lado, estamos conversados. Estamos conversados, porque na verdade não há lá mais nada para conversar. Para mim, está abaixo do mínimo exigível.

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