0216 - Era uma vez o Património – 43

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Em tempos de crise, mudança de paradigma?

 

 O processo de acompanhamento de obras que a ERA-Arqueologia protagonizou na Concessão do Litoral Oeste é ímpar na Arqueologia portuguesa, nomeadamente ao nível da qualificação da equipa e respectivo dimensionamento. Este é mesmo, em minha opinião, um caso de estudo no que respeita às questões de abordagem metodológica, técnica e científica de projectos de Arqueologia associados a grandes obras públicas.

É importante dizer que a esmagadora maioria de obras de dimensão semelhante (para não dizer todas) que ocorrem neste momento em Portugal não disponibilizam, à vertente de Arqueologia, os meios financeiros passíveis de garantir quadros devidamente qualificados que sustentem uma adequada orientação e execução técnica e científica dos projectos concretizados.

Como consequência imediata dessas insuficiências, assiste-se a um progressivo acumular de investimentos financeiros em processos de minimização de impactes sobre o património arqueológico sem resultados proporcionais ao nível de avanços reais nos processos de conhecimento sobre as antigas ocupações humanas do nosso território. Porquê? Porque sem um adequado enquadramento dos projectos de minimização em problemáticas de investigação científica, persistirá um cenário geral de rotinas técnicas, um acumular de dados de pouca validade em dossiers de processos do IGESPAR e a incapacidade de socialmente ser demonstrado, aos cidadãos em geral e aos promotores em particular (que pagam a nossa Arqueologia), que os custos acumulados podem e devem ser vistos como um investimento valioso.

Não tenhamos dúvidas: o problema maior da Arqueologia portuguesa aplicada é o seu desfasamento relativamente à investigação científica inerente à própria actividade arqueológica. Nesse sentido, devemos reconhecer que sem uma maior consciência ética e profissional de todos os que actuam em organismos públicos e privados, relativamente ao valor e significado para a nossa sociedade da prática de uma Arqueologia de excelência, será impossível alterar o paradigma que hoje conhecemos assente em projectos de pouca relevância e no predomínio de destruições ou de perda de informações preciosas sobre o nosso passado, resultantes de incompetência, incúria, ignorância ou incapacidade de actuar correctamente por parte de tantos profissionais.

A isto, a tutela tende a responder, tantas vezes, com uma mão cheia de nada...nada se altera em termos de exigências, persistindo, ano após ano, este caduco paradigma.

A actual crise do país reforça uma convicção: fazer má ou inútil Arqueologia, de nada serve.

Apenas nos resta a boa Arqueologia. Talvez...

Miguel Lago, Outubro de 2010

Comentarios (2)Add Comment
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escrito por Miguel Lago, Outubro 24, 2010
Ao longo dos anos vão-se afirmando os valores de qualidade e inovação defendidos pela ERA-Arqueologia. O trabalho muitos profissionais, que quotidianamente prosseguem os projectos da empresa, confirma uma acção transformadora da Arqueologia portuguesa.
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escrito por Carla Lopes, Outubro 24, 2010
Dr. Miguel Lago, porquê tanto texto repetitivo relativo à qualidade dos trabalhos arqueológicos realizados pela ERA nas obras do Litoral Oeste?
Porquê tanta necessidade de auto-afrmação.
Tem assim tantos problemas de consciência?
Porque será?


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