0220 - Marfim

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 (Estatueta em marfim de cervídeo, proveniente do Sepulcro 2 dos Perdigões)

Hoje, na Associação dos Arqueólogos Portugueses (Museu do Carmo, Lisboa), pelas 18 horas, Thomas Schuhmacher (do Instituto Arqueológico Alemão de Madrid) irá apresentar uma conferência relativa à sua investigação sobre a utilização do marfim na Pré-História Recente ibérica, a convite do Núcleo de Investigação Arqueológica da ERA Arqueologia. Entre outros sítios abordados, estarão os Perdigões, cujos sepulcros 1 e 2 proporcionaram uma das maiores colecções de objectos em marfim desta época em território português. No calcolítico peninsular são hoje conhecidos objectos fabricados sobre marfins de elefante africano, marfim fóssil de Elephus antiquus, sobre marfim de cachalote e até sobre marfins de elefante asiático.

Para mim, contudo, mais interessante que os objectos é a questão relativa ao que significaria o marfim para aquelas gentes: conheceriam o animal? que lugar lhe reservavam no seu ideário? veriam na matéria-prima as propriedades e essências que eventualmente reconheceriam ao animal? Ou era simples matéria-prima valorizada por razões estéticas e pela sua raridade?

Questões que coloquei num texto sobre lúnulas em marfim dos Perdigões (http://www.nia-era.org/component/option,com_docman/task,doc_download/gid,78/Itemid,55/) e noutro que agora estou a redigir sobre as pequenas estatuetas de animais, também elas provenientes dos sepulcros 1 e 2 daquele sítio. A matéria-prima raramente é só isso e nas antigas sociedades pré-históricas ainda menos o seria. Têm propriedades, qualidades, essências, que as tornam activas no palco da vida social. Propriedades e qualidades que frequentemente são relacionadas com a origem (a montanha, a floresta, o rio, o animal, etc.) e com os significados que lhe são reservados por crenças e perspectivas do mundo.

António Valera

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