0251 - Era uma vez o Património – 53

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O tempo que falta

 

 

Aproximamo-nos do fim de um ciclo político. Infelizmente, foram tempos sem política de Património ao longo dos quais o Estado se foi anulando relativamente às suas funções, sem sequer colocar à discussão caminhos alternativos. Lamentavelmente, a um Estado fraco não sucederam entidades privadas fortemente empenhadas no Património. Sob este aspecto, saliente-se o facto de, na área da Arqueologia, ser cada vez mais evidente que cabe aos promotores assumirem as despesas inerentes a processos de minimização de impactes que promovem sobre bens patrimoniais. Esse parece um processo consolidado, sendo assumido como um custo a ter em conta. Infelizmente, no que aos níveis de exigência da administração pública diz respeito, os avanços foram nulos, estando o nivelamento a ser realizado por baixo. Excessivamente por baixo. Quem paga, paga pouco e, muitas vezes, paga para obter apenas uma mão cheia de nada: de nada mais do que um papel desbloqueador de projectos incidindo em meio urbano ou rural.

Quem pensa o Património? Quem vai trilhar novas políticas e implementar soluções?

Na Arqueologia, a passividade é assustadora e a (in)capacidade de mobilizar gente capaz de pensar o futuro parece ser uma impossibilidade.

Afinal, para que queremos actuar sobre o Património arqueológico? E como vamos condicionar a realidade? Ideias, precisamos de ideias!

Miguel Lago, Maio de 2011

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