0253 - Era uma vez o património - 55
Posted by: valera in Untagged on
Jun 17, 2011
Valerá a pena comprar?

Não. De todo. Não pudemos continuar a gastar recursos em Arqueologia inútil.
Se já era mau, agora ainda é pior. Se já eram escassos os recursos, agora são quase residuais. Por isso, mais do que nunca, quem presta serviços em Arqueologia deve lutar pela elevação da qualidade dos seus serviços. E, por isso mesmo, os serviços do Estado devem estar ao serviço da produção de conhecimento sobre o passado, da eficácia e da transparência de processos para os cidadãos bem como da regulação da actividade actualmente promovida e concretizada por entidades privadas.
No entanto, a realidade é paradoxal: compra-se Arqueologia para ter um papel que permita desbloquear processos, descurando-se a produção de conhecimento, a verdadeira razão de ser da prática arqueológica. É possível ter mais qualidade quando quem compra pretende apenas um carimbo, porque sabe que as consequências da contratação de um mau trabalho são nulas? Dificilmente, para não dizer impossível.
Duas vias devem ser prosseguidas, entrecruzando de forma eficaz entidades Públicas e Privadas. A primeira assenta no papel a desempenhar pelo Estado, em que a tutela deve ser muito, mas muito mais exigente, quer ao nível dos planos de trabalho, das qualificações de quem dirige e integra equipas de trabalho e principalmente dos resultados obtidos. A segunda implica o trilhar de novos caminhos para um efectivo retorno social e económico dos investimentos, em benefício da comunidade, dos promotores de projectos e dos que com eles se envolvem; aqui, o papel daquilo a que no Brasil se chama Educação Patrimonial é fulcral: divulgar é a palavra-chave para sensibilizar e tornar relevante o conhecimento produzido pelos projectos de Arqueologia. Só assim valerá a pena gastar dinheiro.
Miguel Lago, Junho de 2011


