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Indiana Jones está ao telefone!?
É evidente que o Prof. Indiana Jones, eminente arqueólogo de uma qualquer universidade dos EUA, é uma personagem de ficção. Todos sabem isso. A sua formulação enraíza-se em arquétipos literários e cinematográficos de aventuras. Não tenho dúvidas: a Arqueologia é, no nosso tempo, uma das "últimas fronteiras" da humanidade, um dos domínios do quotidiano em que a aventura da descoberta e do conhecimento são particularmente singulares e profícuas. Todos os dias conhecemos um pouco mais, mesmo num mundo em que muitos arqueólogos passam tanto tempo ao telefone. O que Indiana Jones tinha de veloz e incrível na narrativa aventurosa é proporcional ao seu irrealismo. Que funciona. Tendemos a olhar para o passado e para os mitos, como o do Dr. Jones, com alguma nostalgia, até porque, nos tempos que correm, tudo parece difícil e precário. Mas, afinal, para que fazemos Arqueologia? Será possível a Aventura? Diz um ditado que "a sorte cuida-se"; eu diria "a Aventura procura-se". Mesmo ao telefone (ao serviço de uma empresa).
Miguel Lago, Junho de 2009
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