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Praça D. Pedro IV, 1 a 3 e Rua Augusta, 285 a 295 - Lisboa Os trabalhos arqueológicos que têm vindo a ser desenvolvidos no edifício sito na Praça D. Pedro IV, 1 a 3 e Rua Augusta, 285 a 295 - Lisboa (Edifício Loja das Meias), enquadram-se no âmbito da aplicação de medidas de minimização de impactes sobre o património arqueológico, decorrentes da sua eventual afectação por trabalhos de construção civil enquadrados no projecto de reabilitação / construção desta edificação. A primeira intervenção, de diagnóstico, realizada em 2008, permitiu identificar estruturas pré-pombalinas abaixo dos edifícios actuais. Na sequência desta primeira intervenção, face ao projecto de arquitectura que se encontrava em vigor e ainda numa fase prévia ao início da empreitada, realizou-se uma segunda intervenção, com carácter de minimização (foi realizado um conjunto de nove sondagens nas áreas onde seriam abertas sapatas para estabilização do edifício). Figura 1 - Troço de calçada séc. XVII/XVIII Face aos resultados obtidos, realizou-se a sobreposição da localização das estruturas identificadas nas sondagens 4,5 e 6 sobre plantas da cidade de Lisboa anteriores à reestruturação da rede urbana por parte do Marquês de Pombal, e estas parecem coincidir com as paredes Este do edifício anteriormente localizado na antiga Rua dos Odreiros, que fazia esquina com a praça do Rossio. Por outro lado, a calçada registada nas sondagens 2 e 3, adapta-se ao traçado das ruas no período pré-pombalino. A estrutura identificada na sondagem 7 coincide, por sua vez, com a parede Oeste do antigo edifício situado na Rua dos Escudeiros e as estruturas das sondagens 8 e 9 com a parede Norte do edifício seguinte. A calçada identificada nas sondagens 8 e 9 parece corresponder com a localização da rua transversal a estes edifícios. Foram ainda identificadas nas sondagens 2,3, 8 e 9 estruturas anteriores às pré-pombalinas. Estas estruturas, referenciadas nas plantas da cidade de Lisboa anteriores a 1755, revelam o traçado urbano original desta zona da cidade antes da reformulação da malha urbana efectuada após o sismo ocorrido em Novembro do mesmo ano. Figura 2 e 3 - Localização das estruturas identificadas na planta do edifício e sobreposição do traçado urbano pré-pombalino com a actual malha urbana (in "Peregrinações", Livro XII). Actualmente, decorre o acompanhamento arqueológico desta empreitada. Face aos resultados das primeiras intervenções arqueológicas e dado o nível de estabilização do edifício, optou-se por uma alteração do projecto de arquitectura. Assim, não se irão realizar as sapatas inicialmente previstas, que atingiriam uma profundidade de cerca 1,5m, e irá construir-se um ensoleiramento único que apenas atingirá uma profundidade de cerca de 0,70m, afectando, maioritariamente, níveis de aterro. Lúcia Miguel / Susana Pires / Inês Mendes da Silva
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